Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/9613
Title: Balneoterapia : um estudo realizado na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Authors: Martinho, Ana Margarida Paiva Rodrigues 
Orientador: Rodrigues, Vítor José Lopes
Cruzeiro, Celso Daniel Rocha
Keywords: Balneoterapia
Issue Date: 2008
Abstract: As lesões por queimadura são um importante problema de saúde pública, com repercussões a nível social dramáticas. Estas influenciam de forma trágica a vida das pessoas, provocando sofrimento, perda de capacidade funcional e um aumento excessivo de despesas. A infecção no doente queimado continua a ser a sua principal causa de morte, despoletada principalmente pela infecção da área queimada. Actualmente, na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, as sessões de balneoterapia contribuem de forma activa para o tratamento do doente queimado. Nesta dissertação procuramos estudar as sessões de balneoterapia a que são sujeitos os doentes vítimas de queimaduras e, se as referidas sessões interferem na descolonização da superfície corporal queimada. Caracterizámos as sessões em estudo, analisámos a influência de algumas variáveis na descolonização da área queimada e a relação existente entre os anti-sépticos utilizados nestas sessões (digluconato de cloro-hexidina 40mg/ml e iodopovidona solução espuma 40 mg/ml) e a referida descolonização. A nossa amostra é constituída por 137 sessões de balneoterapia, a que foram sujeitos indivíduos vítimas de queimaduras, internados na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra. A amostra foi-se constituindo ao longo de um ano (1 de Maio de 2006 a 30 de Abril de 2007) à medida que se iam realizando as sessões de balneoterapia e que se efectuavam zaragatoas à área queimada do doente. O processo de colheita de dados procurou obter de forma sistemática a informação que pretendíamos estudar. Recorremos à base de dados (em formato Excel) existente na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra e que tem fundamento na “Folha de registo de intervenções de enfermagem na sala de balneoterapia”. O seu registo permite a caracterização do doente, assim como, a caracterização da própria sessão de balneoterapia. Contudo, uma vez que a folha de registo não proporciona uma caracterização abrangente do doente queimado, tivemos necessidade de fazer o levantamento de uma lista nominativa dos doentes internados na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, no período em estudo. No sentido de determinarmos a influencia das sessões de balneoterapia na descolonização da área queimada, efectuámos a realização de zaragatoas à lesão antes e após a sessão de balneoterapia. Surgiram quatro tipos de resultados: negativo (antes da sessão) / negativo (após a sessão); positivo / positivo; negativo / positivo; positivo / negativo. Com o objectivo de sintetizar os resultados encontrados, procurámos ainda determinar de que forma as variáveis em análise interferem no sucesso ou insucesso das sessões de balneoterapia. O sucesso das sessões corresponde ao grupo dos resultados negativo / negativo e positivo / negativo e o insucesso das sessões de balneoterapia corresponde ao grupo dos resultados positivo / positivo e negativo / positivo. Considerando os resultados obtidos, podemos afirmar que: -as sessões de balneoterapia na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, são uma vertente do tratamento do doente queimado que pode ser realizada com e sem anestesia, sendo um trabalho realizado por uma equipa de profissionais experientes; -verificámos, também, que nem sempre, na organização dos cuidados realizados na sala de balneoterapia, se contempla a participação de todos os elementos da equipa multiprofissional; -os anti-sépticos utilizados alternam, de forma pouco criteriosa, de 6 em 6 meses; -observámos ainda que estas sessões contribuem para a descolonização/colonização da área queimada, tendo sido identificados mais frequentemente os microrganisnos Staphilococcus aureus, Proteus mirabilis e Pseudomonas aeruginosa; -as variáveis idade e sexo dos indivíduos que foram sujeitos a sessões de balneoterapia na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, não são preditoras da descolonização da área queimada. Observámos, ainda, na nossa amostra, a associação entre os indivíduos do sexo masculino e o sucesso das sessões de balneoterapia, todavia, este resultado não é estatisticamente significativo; -a descolonização da área queimada após as sessões de balneoterapia, na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, é influenciada pela variável tempo de internamento dos indivíduos sujeitos ao tratamento. Os indivíduos com menor tempo de internamento (inferior ou igual a 29 dias) foram aqueles em que se verificou a descolonização da área queimada, estando este tempo de internamento, com 95% de confiança, associado ao sucesso das sessões de balneoterapia; -não existe relação entre a variável etiologia das queimaduras e a descolonização da área queimada. Verificámos, porém, que são as queimaduras provocadas por fogo, em detrimento das queimaduras provocadas por líquido fervente, que mais se associam ao insucesso das sessões de balneoterapia e, com 95% de confiança, podemos afirmar que esta associação se encontra na população; -não se verifica associação entre a percentagem da superfície corporal queimada e a descolonização das áreas queimadas. No entanto, observámos que as sessões de balneoterapia realizadas a indivíduos com superfície corporal queimada superior a 19% estão associadas ao insucesso das mesmas face à descolonização da área queimada, estando esta característica presente na população; -o grau da queimadura, dos indivíduos sujeitos a sessões de balneoterapia na Unidade Funcional de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, influencia a descolonização da área queimada. As queimaduras de 2º grau foram as lesões que mais negativaram (cultura positiva no primeiro momento e negativa no segundo momento de avaliação). Foram, também, as queimaduras de 2º grau que revelaram associação com o sucesso das sessões de balneoterapia, porém esta conclusão não pode ser extrapolada para a população; -a duração das sessões de balneoterapia não influencia a descolonização da área queimada. No entanto, concluímos que as sessões com uma duração inferior ou igual a 30 minutos são as que mais contribuem para o seu sucesso. Também esta inferência não é estatisticamente significativa; -o número de enfermeiros responsáveis pelos cuidados ao doente queimado não influencia a descolonização da área queimada, não estando associado ao sucesso das mesmas; -existe relação entre o uso do anti-séptico e a descolonização da área queimada, sendo o anti-séptico iodopovidona aquele em que se verificou maior número de descolonizações na nossa amostra. Contudo, a este anti-séptico está associado o insucesso das sessões de balneoterapia.
Lesions caused by burns are an important public health problem with serious social repercussions. The former influence people’s lives tragically by causing suffering, loss of functional abilities and a considerable increase in medical expenses. The infection in burn patients is still their main cause of death, triggered by an infection in the burn zone. At present, at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra, balneotherapy contributes actively to the burn patient’s treatment. This thesis presents the study and results of biotherapy sessions on patients victims of burns and attempts to determine whether the aforementioned sessions interfere with the decolonisation of the burn zone on the patient’s body. Thus, we described the sessions under study, we analysed the influence of variables in the decolonisation of the burn zone and the connection between the antiseptic solutions used in these sessions (chlorhexidine digluclonate solution 40mg/ml and iodopovine foam solution 40mg/ml) and the subsequent decolonisation. Our sample comprises 137 balneotherapy sessions to which inpatients at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra were submitted. The study was carried out during a year (from May 1st, 2006 to April 30th, 2007) on the population sample along with the balneotherapy sessions and the taking of swabs from the patient’s body burn zone. During the process of data collection, we tried to get systematically the information required for our study. We consulted the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra data bank (in excel format) and we based our study on the “Document of nursing treatments records in the balneotherapy room”. These records provide a description of the patient as well as of the therapy session. However, since the record does not give a thorough description of the patient, we made a detailed list of the inpatients at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra during this study. We took swabs from the burn lesions before and after the balneotherapy sessions in order to determine the influence of these sessions on the decolonisation of the burn zone. Consequently, four different results occurred: negative (before the session)/negative (after the session); positive/positive; negative/positive; positive/negative. As a means of summing up the results in this study, we also tried to determine whether the variables under study interfered with the success of the balneotherapy sessions. The success of the latter is linked to the negative/negative and positive/negative group and its lack of success to the positive/positive and negative/positive group. According to the results, we realised that: -balneotherapy sessions at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra are a form of treatment of the burn patient which can be carried out, with or without anaesthesia, by experienced professionals; -sometimes, not all the members of the multiprofessional team are included in these patient’s medical care; -the antiseptic solution used in these procedures are changed, without much criteria, every six months; -these sessions definitely contribute to the decolonisation/colonisation of the burn zone, being more frequently identified microrganisms such as Staphilococcus aureus, Proteus mirabilis e Pseudomonas aeruginosa; -the variables age and sex of the individuals submitted to the balneotherapy sessions at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra are not predictors of decolonisation of the burn zone. We also saw a connection in our sample between male individuals and successful balneotherapy sessions. However, this is not statistically conclusive; -the decolonisation of the burnt zone after the balneotherapy sessions at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra is influenced by the variable hospitalisation duration of the individuals undergoing this treatment. Among the patients who have spent less time at the hospital (29 days or less) we noticed a decolonisation of the burnt zone, being this period of hospitalisation associated with the success of balneotherapy sessions in 95 per cent of the cases; -there is no connection between the variable etiology of the burns and the decolonisation of the burn zone. We realised, however, that the burns more closely linked to the lack of success in balneotherapy sessions are the burns caused by fire rather than the ones caused by boiling liquids. This could be seen in 95 per cent of the sample; -the percentage of the patient’s body surface area burned is not associated with the decolonisation of the burn zone, but we came to the conclusion that the therapy sessions, with individuals with more than 19 per cent burn zone, were not very effective in what concerns decolonisation of that zone. This was an aspect that could be seen on the population; -the severity of the burn on the individuals undergoing balneotherapy sessions at the Burns Unit at the Hospital Universitário de Coimbra has a significant influence on the decolonisation of the burn zone. Second grade burns were the ones more responsive to the treatment (positive culture in the first test and negative in the second one). This kind of burns also reacted more positively to the balneotherapy sessions. However, this conclusion cannot be extrapolated to the population; -the length of the balneotherapy sessions does not influence the decolonisation of the burn zone. But, we concluded that the sessions lasting 30 minutes or less are the ones, which contribute more significantly to the success of the treatment. This deduction is not statistically significant as well; -the number of nurses responsible for the burn patient’s medical care is not connected to the success of the therapy sessions, as it has no influence on the decolonisation of the burn zone; -there is a connection between the use of an antiseptic solution and the decolonisation of the burn zone. Iodopovidone was the antiseptic solution, which caused the largest number of decolonisations in our sample. However, this antiseptic solution is also associated with the lack of success of the balneotherapy sessions.
Description: Dissertação de mestrado em Saúde Pública presentada à Faculdade de Medicina da Univ. de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/9613
Rights: openAccess
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