Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/83845
Title: O paradoxo dos fumadores nas sindromes coronárias agudas : uma verdade inconveniente?
Authors: Marques, João Pedro Teixeira 
Orientador: Gonçalves, Lino
António, Natália
Keywords: Síndromes Coronárias Agudas; Tabagismo; Prognóstico; Preditores independentes de mortalidade
Issue Date: Jan-2010
Abstract: Introdução O tabagismo é um dos principais factores de risco modificáveis para o desenvolvimento de doença cardíaca coronária e suas complicações. Paradoxalmente, há evidência de que os fumadores apresentam melhor prognóstico a curto prazo após a ocorrência de enfarte agudo do miocárdio, um fenómeno designado por paradoxo dos fumadores. As diferenças nas características de base entre fumadores e não fumadores (nomeadamente a idade menos avançada e o menor número de comorbilidades nos doentes com tabagismo) poderiam explicar o paradoxo. Contudo, nalguns estudos, o melhor prognóstico nos fumadores persiste mesmo após ajuste para possíveis variáveis confundentes, levando a crer que o tabagismo constitui, per se, um factor preditor de bom prognóstico após uma síndrome coronária aguda. Objectivos Este trabalho de investigação procura verificar a existência do paradoxo dos fumadores numa população com síndromes coronárias agudas e clarificar o impacto do tabagismo como preditor independente de melhor prognóstico a longo prazo nestes doentes. Metodologia Dos 1329 doentes internados consecutivamente por síndromes coronárias agudas na Unidade de Cuidados Intensivos Coronários dos Hospitais da Universidade de Coimbra, entre Maio de 2004 e Dezembro de 2006, seleccionaram-se 422 após emparelhamento por idades. A população em estudo foi então dividida em dois grupos consoante a história tabágica. Os doentes foram seguidos durante 365 dias, tendo sido comparados relativamente a características epidemiológicas, clínicas, exames complementares de diagnóstico, terapêutica instituída, ocorrência de complicações e morte. Resultados Verificou-se que os doentes fumadores eram maioritariamente do sexo masculino, apresentavam menos comorbilidades e factores de risco cardiovasculares. Durante o internamento, os fumadores revelaram menos complicações (5,2% vs. 15,8%, p<0,001) e menor taxa de mortalidade (3,8% vs. 9,5%, p<0,001). O bom prognóstico manteve-se após 365 dias, quer relativamente à ocorrência de eventos cardíacos e cerebrovasculares major (12,2% vs. 21,5%, p<0,05), quer no que se refere à mortalidade (4,2% vs. 10,1%, p<0,05). A análise multivariada estabeleceu o tabagismo como preditor independente e positivamente associado a uma menor mortalidade (HR=0,29 IC=0,12 - 0,72, p<0,05) e a menor ocorrência de eventos cardícacos e cerebrovasculares major (HR=0,34 IC=0,18 - 0,66, p<0,05), aos 365 dias após uma síndrome coronária aguda. Conclusões Este estudo mostrou que o melhor prognóstico dos fumadores após uma síndrome coronária aguda se mantém aos 365 dias, mesmo com recurso a análise multivariada e ajuste para possíveis variáveis confundentes. Deste modo, o tabagismo emerge como preditor independentemente associado a melhor prognóstico após uma síndrome coronária aguda, tanto a curto como a longo prazo
Introduction Smoking is a major modifiable risk factor for developing of coronary heart disease and its complications. Paradoxically, there is evidence that smokers have a better short term prognosis after the occurrence of acute myocardial infarction, the so called smoker’s paradox. Differences in baseline characteristics between smokers and nonsmokers (including the younger age and fewer comorbidities reported in smokers) could explain the paradox. However, in some studies, the better prognosis of smokers persists even after adjusting for possible confounding variables, leading to the belief that smoking is in itself an important predictor of good outcome after an acute coronary syndrome. Objectives This study aims to verify the existence of the smoker’s paradox in a population with acute coronary syndromes and to clarify the impact of smoking as an independent predictor of better long-term prognosis in these patients. Methodology From the 1329 patients consecutively admitted for acute coronary syndromes in the Unidade de Cuidados Intensivos Coronários of the Hospitais da Universidade de Coimbra, from May 2004 to December 2006, 422 were selected after age matching. The study population was then divided into two groups according to smoking history. Patients were followed for 365 days and were compared for epidemiological and clinical characteristics, complementary diagnostic testing, therapeutic regimens, complications and mortality. Results We found that smokers were mostly male, had fewer comorbidities and cardiovascular risk factors. Smokers also showed fewer in-hospital complications (5.2% vs. 15.8%, p <0.001) and mortality (3.8% vs. 9.5%, p <0.001). The advantageous outcomes persisted after 365 days, both for the occurrence of major cardiac and cerebrovascular events (12.2% vs. 21.5%, p <0.05), and mortality (4.2 % vs. 10.1%, p<0.05). Multivariate analysis established smoking as an independent predictor positively associated with lower mortality (HR=0,29 IC=0,12 - 0,72, p<0,05) and occurrence of major cardiac and cerebrovascular events (HR=0,34 IC=0,18 - 0,66, p<0,05), at 365 days after an acute coronary syndrome. Conclusions This study demonstrated that the better prognosis of smokers after the occurrence of an acute coronary syndrome persists at 365 days, even using a multivariate analysis system and adjusting for possible confounding variables. Therefore, smoking emerges as an independent predictor associated with better prognosis after an acute coronary syndrome, both short and long term.
Description: Trabalho final de mestrado integrado em Medicina área científica de Cardiologia, apresentado á Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/83845
Rights: openAccess
Appears in Collections:FMUC Medicina - Teses de Mestrado

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