Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/81912
Title: Living after the first psychotic episode: an anthropological perspective
Other Titles: Viver após o primeiro episódio psicótico: olhar antropológico
Authors: Škraban, Juš 
Orientador: Quartilho, Manuel João Rodrigues
Marques, Tiago Pires
Keywords: psicose; antropologia médica; esquizofrenia; experiência; narrativa; psychosis; medical anthropology; schizophrenia; experience; narrative
Issue Date: 14-Jun-2017
Serial title, monograph or event: Living after the first psychotic episode: an anthropological perspective
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: A tese começa com uma introdução temática e teórica onde são abordadas várias disciplinas académicas e movimentos de utentes que exploram o sentido da psicose. Alem disso, a introdução inclui um panorama da discussão antropógica sobre experiência e narrativa, que são dois conceitos através dos quais o material etnográfico é analisado.O segundo capítulo baseia-se no material etnográfico sobre psicose e recuperação, enfatizando aspetos intersubjetivos. Primordialmente, é analisado como os sujeitos constroem sentido do primeiro surto psicótico. O modelo biomédico com que se confronta o Paulo durante o internamento, não parece fazer-lhe grande sentido. Ao mesmo tempo, a narrativa do Paulo não é incluida nas narrativas psiquiátricas. Neste caso, analisamos o surto do Paulo como uma auto-narrativa que mostra participação ativa por parte do mesmo, o que não lhe foi possível mostrar no mundo de relações interpessoais. Por outro lado, a Sofia adota a terminologia médica mas ao mesmo tempo constroi uma narrativa etiológica própria. Como causas principais do primeiro surto psicótico, identifica a sua solidão e isolamento social na própria vida antes do surto. O Mário, por sua vez, explica etiologicamente o surto como um efeito do consumo de drogas (e o mesmo como uma estratégia de viver no mundo das relações interpessoais).Em segundo lugar, baseiando-se no trabalho etnográfico, experiências subjetivas de psicose são analisadas. No caso do Paulo, como se verifica diversas vezes, as suas experiências de psicose deixaram-no temporáriamente incapaz de se involver no mundo intersubjetivo. Do ponto de vista narrativo, encontrou-se incapaz de performar a sua própria estória. A Sofia descreve as suas experiências psicóticas como experiências de sentido elevado – o seu isolamento social fez com que visse conexões no mundo que antes não via. O surto dela interpreta-se ter como a sua tentativa, mesmo que idiosincrática, de comunicar com o mundo fora. Da mesma maneira, o Mário não conseguia construir sentido no mundo interpessoal, por isso encontrou refúgio no seu mundo psicótico durante o surto.Em terceiro lugar, experiências do internamento são analisadas. Elas são, nos casos etnográficos apresentados, ambivalentes. O Paulo descreveu a sua fase de internamento como “levantar-se do poço”. O internamento deu-lhe uma certa estrutura na vida quotidiana que antes e depois da estadia no hospital não encontrou. E, se por um lado não se identificava com o modelo biomédico – o que tornou a fase de internamento mais difícil e o levou a não querer estar lá – por outro receava a vida na comunidade. A Sofia lembra-se do internamento principalmente em termos negativos pela alteração grave que o internamento significou nas suas rotinas quotidianas. Simultâneamente, o internamento deu-lhe um certo sentido de segurança, algo que lhe estava a faltar principalmente durante o surto. O Mário, por sua vez, experienciou a estadia no hospital principalmente como uma viagem solitária em que conseguiu repensar e reestruturar o sentido da própria vida.O capítudo conclui-se com a exploração da experiência intersubjetiva da vida quotidiana após o primeiro surto psicótico. O caso do Paulo revela a dinámica da transição entre o internamento e vida na comunidade. A transição, que para ele se revela confusa e disturbadora, é estruturada pelas narrativas interpessoais que foi tendo ao longo da última semana do internamento. O caso da Sofia mostra a importância de encontrar um novo lugar no mundo intersubjetivo. Isso também se mostrou importante na narrativa de recuperação do Mário, encontrar um novo espaço no mundo após consumo de drogas e o surto.O terceiro capítulo continua o debate sobre narrativas e intersubjetividade, aplicado, desta vez, à reflexão da experiência do trabalho de campo. Os conceitos de narrativas e intersubjetividade têm implicações éticas, metodológicas e epistemológicas importantes. Primeiro, alguns aspetos éticos são considerados. A discussão segue-se com considerações metodológicas onde é discutido o lugar de falar sobre experiências de psicose no processo de recuperação. Encotraram-se dois padrões. A retirada do Paulo da investigação é interpretada como uma estratégia de preservar o espaço pessoal perante as circunstâncias que o danificaram. Por outro lado, a Sofia e o Mário encontraram sentido em participarem no presente estudo, o que até ao certo grau acabou por facilitar o processo de recuperação. A seguir, algumas questões metodológicas são levantadas, nomeadamente as de técnicas de investigação. Defende-se que as mesmas são ligadas e devem ser pensadas em relação com a presença, persona do investigador. O capítudo conclui-se com uma reflexão sobre a etnografia colaborativa.
The thesis begins with an introduction to various academic disciplines and user movements which have approached psychosis as a meaningful phenomenon. The chapter ends with an overview of the anthropological discussion on experience and narrative, the two concepts with which we approach the fieldwork.The second chapter is based on ethnographic fieldwork on psychosis and recovery, focusing on the intersubjective aspect. Firstly, we look at how the participants in the study make sense of psychosis, some at the time of acute crisis and some in temporally removed narratives. The biomedical model of psychosis, suggested to Paulo at the psychiatric ward, seems not to have made a lot of sense to him. At the same time, his narrative (marked by his spiritual quest) was not emplotted in the ward. The psychotic crisis is interpreted as his self-narrative, where he has shown active participation (agency), which he was unable to do in his social interactions. In contrast, Sofia adopts medical terminology but still preserves her own etiological narrative, distinct from the biomedical explanatory model. It is related to the world of interpersonal relations, or more precisely put, her withdrawal from it. She identifies loneliness and social isolation as the main causes of her psychotic crisis. Mário, however, sees the main reason underlying his psychotic episode in drug consumption. This he understands as a way of coping with his discomfort in his intersubjective world. Secondly, we approach the subjective experiences of psychosis. Paulo’s psychotic experiences seem to have been overwhelming to the point that he temporarily lost the ability to engage with the intersubjective world. As is observed to be quite common, Paulo was no longer a performer but more like an audience member to his performance of a story. When it comes to Sofia, we can describe her experiences as hyper meaning. Her social isolation made her see connections in the world that others could not see. Psychosis, it is suggested, was her attempt – albeit an idiosyncratic one – of reaching out to people and the outside world. Similarly, once Mário ran out of spaces in which he could construct meanings through social interaction, he found dialogical intersubjective spaces in his psychotic world. He heard and saw principally his loved ones, and we analyse his experiences of psychosis and how he coped with it. We can conclude that the constant presence of people which could not be logically explained caused a great suffering and resulted in some damage to his relationships with his loved ones.Thirdly, the experience of hospitalization is considered. All narratives of hospitalization are somehow ambivalent. Paulo saw his hospitalization phase as “rising up from the hole”. The schedule in the ward gave him structure – by the end of his hospitalization, despite his desire to leave the ward, he started to feel uncomfortable facing life outside the hospital without a palpable structure. Sofia remembers her hospitalization as a primarily negative experience due to the radical change to her everyday life imposed on her. At the same time, due to her feeling of being persecuted, she felt relieved because the ward had a security service and closed doors. Mário experienced his first (and only) hospitalization as a lone journey of personal reconstruction. His narrative is characterised by his introspective journey and reflection about his past life experiences.The chapter is concluded by exploring the intersubjective experience of everyday life after the FPE. Paulo’s case reveals the dynamics of the transition between hospitalization and living in the community. Paulo’s life, as is argued, is structured by his interactions with his loved ones that emplot his future. A dynamic web of narratives can be observed, structuring Paulo’s everyday life in his transition to the community, which he finds disturbing and confusing. Meanwhile, Sofia’s case shows us that the crucial aspect of her recovery was finding her place in the intersubjective world. It also shows that Sofia considers her FPE as a part of a wider process of personal reconstruction. A similar importance of reconstructing interpersonal relationships can be noted in Mário’s story as well.The third chapter debates narrative and intersubjectivity in reflecting the fieldwork experience. In terms of methodology, I discuss speaking about psychosis as a tool for recovery. Two patterns are found. The first is present in Paulo’s story: his withdrawal from the study is seen as a kind of strategy to construct a safe personal space previously damaged by the FPE and the experience of hospitalization. However, the experiences with Sofia and Mário show the importance that participation in an ethnographic study might have for a person. Next, it is argued that in methodological debate on anthropology, reflection on the techniques that are employed is often absent. The issue is related to the researcher's position in the field.
Description: Dissertação de Mestrado em Psiquiatria Social e Cultural apresentada à Faculdade de Medicina
URI: http://hdl.handle.net/10316/81912
Rights: openAccess
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