Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/47952
Title: Comparação dos preditores independentes da mortalidade a um ano entre doentes com e sem insuficiência renal após uma síndrome coronária aguda
Authors: Ferreira, Cátia Sofia Tavares 
Orientador: Gonçalves, Lino
António, Natália
Keywords: Síndroma corononiana aguda; Insuficiência renal; Mortalidade
Issue Date: Mar-2011
Abstract: Introdução: As Síndromes Coronárias Agudas são uma das principais causas de morbilidade e mortalidade no Mundo. Novos indicadores de insuficiência renal têm suscitado atenção na previsão de resultados adversos em doentes com estas Síndromes. Estudos recentes sugerem que a doença renal crónica, um problema de saúde pública mundial, afecta negativamente o diagnóstico, tratamento e prognóstico dos doentes com características de alto risco para Síndromes Coronárias Agudas. Vários aspectos da relação entre a insuficiência renal e doença cardiovascular permanecem inexplorados. Contudo, diversos estudos têm demonstrado a importância crucial da insuficiência renal no prognóstico e desfecho dos doentes com Síndromes Coronárias Agudas, considerando-a um preditor independente de mortalidade. Objectivo: Comparar os preditores independentes de mortalidade a um ano, entre doentes com e sem insuficiência renal, após uma Síndrome Coronária Aguda. Metodologia: Estudo retrospectivo de 927 doentes com Síndrome Coronária Aguda, de um único centro, internados durante o período compreendido entre Maio de 2004 e Dezembro de 2006 e que sobreviveram ao evento. O seguimento clínico foi realizado ao fim de 1 ano após a alta hospitalar. Os doentes foram divididos em 2 grupos de acordo com a Clearance de Creatinina: Grupo A (n=381) – Clearance de Creatinina <60 mL/min e Grupo B (n=546) – Clearance de Creatinina ≥60 mL/min. Resultados: Os doentes na População com Clearance de Creatinina <60 mL/min eram mais frequentemente do sexo feminino (45,2% vs 21,2%, p<0,001), mais idosos (759 anos vs 6111 anos, p<0,001), apresentavam mais frequentemente enfarte agudo do miocárdio sem supra-desnivelamento do segmento ST (53,8% vs 38,9%, p<0,001), frequências cardíacas na admissão mais elevadas (8018 bpm vs 7614 bpm, p=0,001), menos frequentemente classe Killip-Kimball I (75,9% vs 91,3%, p<0,001), pior função sistólica ventricular esquerda (fracção de ejecção do ventrículo esquerdo 5012% vs 5310%, p<0,001), tinham mais vezes bloqueio completo de ramo esquerdo (6,8% vs 3,2%, p=0,008), valores maiores de glicemia na admissão (135,0 mg/dL vs 124,0 mg/dL, p=0,001) e apresentavam taxas de mortalidade significativamente mais altas (mortalidade intra-hospitalar de 8,5% vs 1,2% e a um ano 13,9% vs 5,1%; p<0,001 e p<0,001, respectivamente). Na análise multivariada os preditores independentes de mortalidade na população com Clearance de Creatinina ≥60 mL/min foram a idade ≥71,5 anos (OR: 5,77, IC95%: 1,894-17,576), valor de troponina I ≥38,9 U/L (OR: 8,206, IC95%: 2,402-28,036), glicemia na admissão ≥152,5 mg/dL (OR: 3,11, IC95%: 1,038-9,317), fracção de ejecção do ventrículo esquerdo 47,5% (OR: 3,586, IC95%: 1,21-10,632), classe Killip-Kimball >1 (OR: 9,089, IC95%: 2,353-35,117), enfarte agudo do miocárdio prévio (OR: 6,664, IC95%: 1,931-22,998) e bloqueio completo de ramo esquerdo no electrocardiograma (OR: 16,817, IC95%: 2,694-104,993). Na população com Clearance de Creatinina <60 mL/min os únicos preditores independentes de mortalidade foram a idade ≥74,5 anos (OR: 3,209, IC95%: 1,478-6,966) e a frequência cardíaca ≥78,5 bpm (OR: 2,976, IC95%: 1,435-6,174). Conclusão: A insuficiência renal parece ser um preditor independente de eventos adversos tão forte que a sua importância se sobrepõe à dos outros preditores de mortalidade tradicionais após uma Síndrome Coronária Aguda. Perante a existência de insuficiência renal, não é necessária a presença de quaisquer outros factores de risco para prever um prognóstico sombrio. Estes resultados salientam a importância do tratamento agressivo dos doentes com insuficiência renal e Síndromes Coronárias Agudas, independentemente da existência de outros preditores de mau prognóstico.
Background: Acute Coronary Syndromes are a major cause of morbidity and mortality Worldwide. New indicators of renal failure gained importance in prediction of adverse outcomes in patients with these Syndromes. Recent studies suggest that chronic renal disease, a public health problem over the world, adversely affects the diagnosis, treatment and prognosis of patients with high risk of Acute Coronary Syndromes. Several aspects of the relationship between kidney disease and cardiovascular disease remain unexplored. However, several studies demonstrated the crucial importance of renal failure in prognosis and outcome of Acute Coronary Syndromes patients, considering it as an independent predictor of mortality. Purpose: To compare independent predictors of 1-year mortality after an Acute Coronary Syndrome, between patients with and without renal dysfunction. Methods: Retrospective analysis of 927 Acute Coronary Syndrome patients, from a single centre, admitted between May 2004 and December 2006 who survived the event. A clinical follow-up was performed at 1-year after hospital discharge. Patients were divided in 2 groups according to Creatinine Clearance: Group A (n=381) – Creatinine Clearance <60 mL/min and Group B (n=546) – Creatinine Clearance ≥60 mL/min. Results: Patients in the population with Creatinine Clearance <60 mL/min were more likely to be women (45,2% vs 21,2%, p<0,001), were older (759 years vs 6111 years, p<0,001), presented more frequently myocardial infarction with ST segment elevation (53,8% vs 38,9%, p<0,001), higher heart rates on admission (8018 bpm vs 7614 bpm, p=0,001), less often Killip-Kimball I class (75,9% vs 91,3%, p<0,001), worse left ventricular systolic function (left ventricle ejection fraction 5012% vs 5310%, p<0,001), had more frequently left bundle branch block (6,8% vs 3,2%, p=0,008), higher values of glycaemia on admission (135,0 mg/dL vs 124,0 mg/dL, p=0,001) and significantly higher mortality rates (in-hospital mortality 8,5% vs 1,2% and one year 13,9% vs 5,1%, p<0,001 and p<0,001, respectively). On multivariate analysis, independent predictors of mortality in the population with Creatinine Clearance ≥60 mL/min, were age ≥71,5 years (OR: 5,77, IC95%: 1,894-17,576), troponin I value ≥38,9 U/L (OR: 8,206, IC95%: 2,402-28,036), glycaemia on admission ≥152,5 mg/dL (OR: 3,11, IC95%: 1,038-9,317), left ventricle ejection fraction 47,5% (OR: 3,586, IC95%: 1,21-10,632), Killip-Kimball class >1 (OR: 9,089, IC95%: 2,353-35,117), previous myocardial infarction (OR: 6,664, IC95%: 1,931-22,998) and left bundle branch block on electrocardiogram (OR: 16,817, IC95%: 2,694-104,993). In the population with Creatinine Clearance <60 mL/min the only independent predictors of mortality were age ≥74,5 years (OR: 3,209, IC95%: 1,478-6,966) and heart rate ≥78,5 bpm (OR: 2,976, IC95%: 1,435-6,174). Conclusion: Renal dysfunction seems to be a strong independent predictor of adverse outcome, which masks other traditional predictors of mortality after an Acute Coronary Syndrome. In presence of renal dysfunction we need no more risk factors to expect an dismal prognosis. These results reinforce the importance of aggressive treatment of Acute Coronary Syndrome patients with renal dysfunction, independently of the presence of other predictors of adverse outcome
Description: Trabalho final de mestrado integrado em Medicina àrea cientifica de Cardiologia, apresentado à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/47952
Rights: openAccess
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