Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/24212
Title: Arquitetura, imagem e cenografia
Authors: Sebastião, Joana Rita 
Orientador: Figueira, Jorge
Keywords: Arquitectura, Portugal, 1933-1974; Estado Novo; Exposição do mundo português
Issue Date: Jun-2013
Citation: Sebastão, Joana Rita Amante Rodrigues - Arquitetura, imagem e cenografia : o estado novo e a construção de uma identidade nacional. Coimbra, 2013
Abstract: O tema dos regimes políticos totalitários que aparecem na Europa no início do século XX é sempre um tema sensível e difícil de abordar tendo em conta os problemas sociais e humanos que causaram no desenvolvimento da sociedade. O envolvimento emocional com o tema acaba por ser um pouco inevitável mesmo para quem não viveu essas épocas diretamente. É praticamente impossível exigir uma imparcialidade ao analisar algum tema relacionado com esta área de estudo. Mas é precisamente por esta carga emocional existir que tantos estudos relativos aos diferentes casos foram feitos, este incluído. Estes momentos “negros” da história permitiram, no entanto, situações interessantes do ponto de vista da investigação. Ignorando questões de qualidade ou legitimidade moral, estas experiências sociais acabaram por fornecer elementos de estudo importantes mais não seja para uma questão de prevenção para que não se voltem a repetir. E o caso da arquitetura não é diferente. Num momento de revolução e inovação arquitectónicas muito importante no contexto europeu, o esforço por parte destes regimes em travá-lo é enorme. E todos eles, de uma forma ou de outra, o tentaram fazer. O caso português não é diferente neste aspecto mas é diferente em muitos outros. A política do Estado Novo era mais fechada dentro de fronteiras e não havia uma política de expansão mas sim de conservação das conquistas antigas. E era isto que se procurava transmitir para a arquitetura, quando se descobre – a par dos restantes regimes totalitários europeus – que esta era um excelente instrumento de propaganda e de propagação de uma imagem de Estado. Existem algumas linhas em comum com os outros regimes como a monumentalidade, o gosto pelo clássico e a conciliação da modernidade com a tradição, mas o confiar numa iconografia do imaginário da história de Portugal era a forma de garantir que a arquitetura que aqui se faria era mesmo portuguesa. E se eram as imagens que se criam para o Estado Novo o derradeiro objectivo, não só como educação de uma população mas também como o assegurar da permanência de sua imagem na história, então serão essas imagens que serão aqui estudadas. Então, não haverá melhor forma de estudar que imagens se pretendiam realmente transpor do que se se tomar como objecto de estudo a Exposição do Mundo Português de 1940. Esta exposição acaba por ser não só a derradeira manifestação da arquitetura que o Estado Novo pretendia que fosse sua mas também o melhor exemplo de quais eram realmente os valores e ideologias que pretendiam que essa arquitetura contivesse. Para isto, não se analisa a arquitetura só a partir dos desenhos de seus autores, dos discursos de quem se encontrava no poder e das opiniões mais ou menos emocionais dos arquitetos ou historiadores, tanto dos que vivem como dos que não vivem esta época. Procura-se fazer esta análise também recorrendo ao estudo das fotografias que dela foram tiradas pelo observador - ou fotógrafo - comum, para quem ela realmente foi construída. Sendo assim, o trabalho separa-se em dois capítulos, um de contextualização e outro de análise. O primeiro procura fazer a contextualização tanto da época que se vive, em termos políticos e sociais, no panorama europeu e no caso português em particular. O seu primeiro subcapítulo trata o tema da ditadura, arquitetura e propaganda procurando referir as diferentes formas como estes três temas se relacionam entre si no início do século XX. O segundo subcapítulo procura trazer algumas bases para a questão da relação entre os edifícios e o poder, referindo alguns estudos sobre a questão da carga simbólica que estes podem conter e sua influência em termos sociais. O terceiro, e último, subcapítulo tem o objectivo de fornecer um contexto acerca da Exposição do Mundo Português de 1940, o principal caso de estudo. O segundo capítulo procura então analisar as tais imagens como fonte de informação não só sobre as intenções do Estado para a Exposição e sua arquitetura mas também sobre o cunho pessoal que o arquiteto lhes transmite mais ou menos de acordo com as orientações estabelecidas pelo programa. Este está dividido em dois grandes subcapítulos, um sobre os estilismos portuguesistas e outro sobre os estrangeirismos vanguardistas. Cada um destes capítulos oferece dois casos de estudo da própria Exposição do Mundo Português e outro caso paralelo mas igualmente pertinente para consolidação das ideias chave. O primeiro analisa os exemplos mais historicistas do Pavilhão de Honra e de Lisboa de Cristino da Silva, do Núcleo das Aldeias Portuguesas de Jorge Segurado e do Portugal dos Pequenitos em Coimbra de Cassiano Branco. Já o segundo analisa o Pavilhão dos Portugueses no Mundo e a Porta da Fundação de Cotinelli Telmo, e o Pavilhão de Portugal na Exposição de Paris de 1937 de Keil do Amaral. Este estudo procura, assim, entender de que forma são escolhidas pelo Estado Novo as linguagens ou estilos arquitectónicos a representá-lo, sendo que estes dependem diretamente do intuito do edifício e do programa do mesmo.
Description: Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitectura, apresentada ao Departamento de Arquitectura da F. C. T. da Univ. de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/24212
Rights: openAccess
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