Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/24065
Title: A Quinta loteada
Authors: Sequeiros, Nuno 
Orientador: Lousa, António
Issue Date: Jun-2013
Citation: Sequeiros, Nuno Alves Pereira de - A Quinta loteada : intervenção no quarteirão portuense. Coimbra, 2013
Abstract: A contemporaneidade representa um período em que a reabilitação é cada vez mais um tema recorrente e a necessidade do reaproveitamento da massa edificada existente, uma realidade. É neste contexto que, para a elaboração deste trabalho de dissertação, será abordada a cidade do Porto, o seu carácter urbano e o legado da burguesia oitocentista. O interesse neste tema surge do contacto esporádico com esta cidade, proporcionado ao longo do curso, através das conferências, visitas, ou outras actividades que tornam o Porto um destino obrigatório da arquitectura em Portugal. O primeiro passo consiste, então, naturalmente, pela compreensão da cidade, o estudo da sua história e da sua evolução urbana. Após séculos de justaposição, aglomeração, demolição e reconstrução, e algumas décadas de planeamento, o centro urbano portuense mantém-se como uma memória de uma burguesia enriquecida que se sobrepõe à própria classe aristocrática e clerical e, assim, domina a cidade. O impacto desta especificidade social estende-se à arquitectura e à própria morfologia da cidade que, através de uma filosofia de vida muito característica, torna a cidade do Porto um exemplo único em Portugal. A grande inovação burguesa é a forma de habitar em que, a casa, mais do que propriedade, se transformava numa extensão da identidade da família, se transformava num lar. Deste modo, a habitação burguesa portuense, dotada de uma matriz praticamente intocável ao longo das décadas, afirma-se como o modelo quase exclusive adoptado para a edificação nesta cidade sendo, então, repetida incessantemente ao longo dos novos arruamentos de expansão urbana. “Edificações alinhadas e destinadas a habitações unifamiliares de diferentes dimensões, posteriormente plurifamiliares e de rendimento, ou a oficinas e lojas, isoladas, geminadas, em banda, repetidas ou agrupadas através de um eixo que as centraliza, elas são invólucros, massas construídas, transições entre o mundo exterior e o colectivo do espaço urbano e o mundo privado. Estas habitações, refúgio do espaço íntimo e privado, ocultam um outro espaço não edificado, mas também privado, afastado do espaço público pelos contínuos edificados – o logradouro.” 1 Este espaço, tipicamente associado à habitação burguesa, surge no aproveitamento do loteamento característico na cidade que vai ter um impacto profundo na modulação portuense e, mais especificamente, no quarteirão urbano. No entanto, dependendo de factores como a proximidade ao centro, do poder económico dos seus residentes, ou mesmo da morfologia do terreno, o quarteirão demonstra algumas variações tipológicas no que diz respeito ao seu interior e correspondente alçado tardoz. Acerca do quarteirão portuense, Maria do Carmo Pires revela a sua experiência: “num percurso inicial, observámos aquele que parecia ser um conjunto edificado de morfologia repetitiva e monótona, mas, posteriormente, um outro olhar revelou-nos uma grande variedade e multiplicidade naquelas frentes de rua que pareceram, anteriormente, alinhadas e estereotipadas”.2 Luigi Gazzolla esclarece ainda, relativamente à questão, que: “La tipologia architettonica non si definisce dunque como disciplina autonoma, ma come disciplina strumentale, poiché participe di un píu ampio processo di ideazone.” 3. O quarteirão torna-se assim um ponto fulcral na elaboração desta investigação, que visa uma melhor compreensão da relação com a cidade, da sua influência na própria urbe e da repercussão da mesma nas suas características. Esta abordagem acompanha a tendência actual em que finalmente “se começa a valorizar o estudo desta arquitectura que nada tem a haver com a magnificência, com a monumentalidade, mas aquela que estuda e interpreta os espaços de vivência quotidiana do mais comum dos cidadãos e que só poderá ser compreendida, na sua totalidade, a partir de um tratamento pluridisciplinar” 4. Por outro lado, após uma expansão e desenvolvimento urbanos acentuados ao longo de séculos, a cidade do Porto atravessa agora uma fase diferente. Nesta “nova era”, para além do contraste demográfico, regista-se uma alteração no paradigma de habitação na cidade que, aliada a uma situação económica desfavorável, resulta numa quase total estagnação do sector construtivo. Por oposição, numa altura em que ao centro urbano portuense é atribuído o estatuto de património mundial da UNESCO, a zona histórica é palco de inúmeras intervenções cirúrgicas. ”Num momento em que assistimos, na cidade, à ruína e à destruição de edifícios, de finais de Oitocentos e inícios de Novecentos, resultado de um mercado imobiliário ávido pela promoção de novos tipos de edificações, das necessidades comerciais e das opiniões que os apelidam de “sempre iguais”, apelamos à conservação deste conjunto de espaços concretos e de uma “arquitectura que escreve História”5. É neste espirito de conservação e de colmatação que, após reunidas as condições teóricas, este trabalho avança para uma proposta de intervenção na cidade. Durante o estudo da evolução portuense, houve um contacto inevitavelmente mais próximo com a cidade e foi assim que, na análise do espaço urbano, se destacou o quarteirão delimitado pelas ruas Álvares Cabral, da Cedofeita, dos Bragas, dos Mártires da Liberdade e pela Praça da República. Este exemplo, marcado fortemente pela sua anterior existência como Quinta de Santo Ovídio, representa o legado histórico portuense em toda a sua força, ao mesmo tempo que demonstra um grande potencial urbano que, devido a um comportamento negligente, ou apenas às incontornáveis questões de propriedade, foi ignorado ao longo das décadas. É deste modo que este quarteirão, dotado não só de inúmeros exemplos de uma arquitectura verdadeiramente portuense, mas também de equipamentos históricos da indústria local e ainda de reminiscências rurais, se torna o alvo da proposta em questão. Esta intervenção será então realizada no sentido, não apenas de o reparar e recuperar, mas também de o reequipar, visando a sua abertura à comunidade e à cidade transformando o devoluto e degradado numa nova urbanidade, actual e dinâmica.
Description: Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitectura, apresentada ao Departamento de Arquitectura da F. C. T. da Univ. de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/24065
Rights: openAccess
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