Please use this identifier to cite or link to this item: https://hdl.handle.net/10316/113542
Title: O IMPACTO DA PANDEMIA COVID-19 NA INCIDÊNCIA DE ACIDENTES DE TRABALHO NUM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Other Titles: THE IMPACT OF THE COVID-19 PANDEMIC ON THE INCIDENCE OF WORK ACCIDENTS IN AN UNIVERSITY HOSPITAL
Authors: Pacheco, Vânia Patrícia Coelho
Orientador: Ferreira, António Jorge Correia Gouveia
Antunes, Maria Isabel da Costa
Keywords: COVID-19; HEALTHCARE WORKERS; OCCUPATIONAL ACCIDENTS; COVID-19; PROFISSIONAIS DE SAÚDE; ACIDENTES DE TRABALHO
Issue Date: 31-Oct-2023
Serial title, monograph or event: O IMPACTO DA PANDEMIA COVID-19 NA INCIDÊNCIA DE ACIDENTES DE TRABALHO NUM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Place of publication or event: Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
Abstract: INTRODUCTION: The COVID-19 Pandemic abruptly altered our daily lives and its mitigation efforts led to significant changes in the workplace. Healthcare workers were among the most affected groups. The constant adaptation of human resources, the implementation of remote work, and the use of personal protective equipment may have had a significant impact on the incidence of OA (Occupational Accidents). Studies suggest a decrease in the incidence of OA after the onset of the Pandemic.OBJECTIVES: The aim of this study is to investigate and compare the number and incidence of OA during the pandemic and pre-pandemic periods to determine the direct impact of the Pandemic in this sphere, considering demographic and occupational variables (gender, age group, professional category and occupational risk). We also aim to analyse whether a possible decrease in hospital productivity, particularly in terms of the number of hospital discharges, emergency department admissions, and medical consultations, influences the occurrence of OA. Through this analysis, we hope to contribute to understanding the effects of the Pandemic on Occupational Health and Safety, especially in the hospital context.MATERIALS AND METHODS: This is an observational, retrospective study. We analysed the record of OA between the years 2018 and 2022, as well as the monthly and annual counts and incidence of OA per 1000 workers. Considering that the first restrictions related to the Pandemic were implemented in Portugal in March 2020, and to ensure comparable groups, only the months from March to December of each year were considered. The information was collected by consulting a database from the CHUC (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) Occupational Health Service regarding the occurrence of OA during the defined study period. To calculate the monthly incidence rate of OA, information about the number of permanent professionals in CHUC at the end of each calendar year was obtained from the Human Resources Department, according to the following classification: gender, age group, and professional category. To estimate the effect of the Pandemic on the incidence of OA, we used the differences-in-differences method by Lemieux et al. We also sought to determine if the results could be explained by the decrease in healthcare activity at the hospital. For this purpose, we considered three measures of activity: 1) the number of hospital discharges per month; 2) the number of patients admitted to the Emergency Department per month; and 3) the number of monthly medical consultations and a regression analysis was conducted. Statistical significance was set at 0.05, and we used R software (version 4.3.0).RESULTS: We observed a decrease in the number of OA in the year 2020, with an apparent recovery to values similar to those recorded in the pre-pandemic period in 2021 and 2022. The results indicate that the Pandemic may have contributed to a decrease of approximately 13% in the incidence of OA during the year 2020. The Pandemic resulted in a decrease in the total number of OA for both genders, though with a more significant impact on males (27% vs. 10% in females). In 2020, there was a decrease in the occurrence of accidents in all age groups, except for the 40 to 59 age group, where a slight increase was observed. Healthcare assistants and physicians experienced a significant reduction in the number of OA, with decreases of 28.57% and 35.96%, respectively. The impact of the Pandemic on the nursing category was virtually negligible in 2020. The Pandemic led to a 25% reduction in the number of OA not involving biological risk and a 6.51% increase in OA with biological risk. In March 2020, we observed a sharp decrease in the number of hospital discharges, admissions to the Emergency Department, and medical consultations, followed by a progressive increase. There was a positive correlation between the number of medical consultations and OA.DISCUSSION/CONCLUSION: Our results indicate that the Pandemic may have contributed to a decrease in the incidence of OA in 2020. This reduction in the incidence of OA was more significant initially, tending to decrease over time. Several possible explanations exist for the decrease in the incidence of OA during the pandemic period, with the most obvious being the restriction on the number of people circulating in the hospital. The scientific evidence regarding the decrease in the incidence of OA during the pandemic period is not consistent and may be explained by differences between countries in the definition of the concept of OA and the various confinement strategies adopted. In Portugal, COVID-19 is recognized as an occupational disease. However, if it were considered an OA, our results would have been completely different, with an exponential increase in the number and incidence of occupational accidents. These data may encourage more detailed research on the impact of the Pandemic on working conditions.
INTRODUÇÃO: A Pandemia COVID-19 modificou de forma súbita o nosso quotidiano e o seu combate levou a modificações importantes nos locais de trabalho. Os profissionais de saúde foram dos grupos mais afetados. As constantes adaptações de recursos humanos, a implementação do teletrabalho e a utilização de equipamentos de proteção individual podem ter tido um impacto significativo na incidência de AT (Acidentes de Trabalho). Vários estudos sugerem uma diminuição da incidência de AT após o início da Pandemia.OBJETIVOS: Pretende-se investigar e comparar o número e a incidência de AT durante os períodos pandémico e pré-pandémico, para determinar o impacto direto da Pandemia nesta esfera, considerando variáveis demográficas e ocupacionais (sexo, faixa etária, categoria profissional e risco profissional). Procura-se analisar se uma possível diminuição da produção hospitalar, no que respeita ao número de altas do internamento, de admissões no SU e de consultas realizadas, tem influência na ocorrência de AT. Através desta análise, esperamos contribuir para a compreensão dos efeitos da Pandemia sobre a Segurança e Saúde no Trabalho, em especial no contexto hospitalar.MATERIAL E MÉTODOS: Estudo observacional, retrospetivo. Analisamos o registo de AT entre o ano de 2018 e 2022 e a contagem e a incidência mensal e anual de AT/1000 trabalhadores. Tendo em consideração que foi em março de 2020 que foram implementadas as primeiras restrições relativas à Pandemia em Portugal, e de forma a garantir grupos comparáveis, considerou-se apenas os meses de março a dezembro de cada ano. A informação foi recolhida através da consulta de uma base de dados do Serviço de Saúde Ocupacional do CHUC (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra), relativa à ocorrência de AT, durante o período definido para o estudo. Com o intuito de calcular a taxa de incidência de AT mensal, foi requerido ao Serviço de Recursos Humanos informação relativa ao número de profissionais efetivos no CHUC, no final de cada ano civil analisado. Esses dados foram solicitados de acordo com a seguinte classificação: sexo, faixa etária e categoria profissional. Para estimar o efeito da Pandemia na incidência de AT, utilizamos o método de diferenças-em-diferenças de Lemieux et al. Procuramos verificar se os resultados observados podem ser explicados pela diminuição da atividade assistencial a nível hospitalar. Para isso, consideramos três medidas de atividade: 1) número de altas do internamento por mês; 2) número de admissões no SU por mês; e 3) número de consultas médicas mensal. Realizamos uma análise de regressão para compreender se a incidência de AT pode ser explicada por estes indicadores. Fixamos a significância estatística em 0.05 e utilizamos o software R (versão 4.3.0).RESULTADOS: Observamos uma diminuição no número de AT no ano de 2020, com aparente recuperação para valores semelhantes aos registados no período pré-pandémico, em 2021 e 2022. Os resultados indicam que a Pandemia terá contribuído para uma diminuição de cerca de 13% na incidência de AT durante o ano de 2020. A Pandemia resultou numa diminuição no número total de AT para ambos os sexos, embora com um impacto mais significativo no sexo masculino (27% vs. 10% no sexo feminino). Em 2020, constatou-se uma diminuição na ocorrência de AT em todas as faixas etárias, exceto na faixa dos 40 aos 59 anos, onde se observou um ligeiro aumento. Os assistentes operacionais e médicos registaram uma redução acentuada no número de AT, com diminuições de 28,57% e 35,96%, respetivamente. Na categoria de enfermagem o impacto da Pandemia foi praticamente nulo em 2020. A Pandemia levou a uma redução de 25% no número de AT que não envolveram RB (Risco Biológico) e a um aumento de 6,51% nos AT com RB. Em março de 2020, observamos uma diminuição abrupta no número de altas do internamento, de admissões no SU e de consultas médicas realizadas, com um aumento progressivo posteriormente. Verificou-se uma correlação positiva entre o número de consultas médicas e de AT.DISCUSSÃO/CONCLUSÃO: Os nossos resultados indicam que a Pandemia terá contribuído para uma diminuição na incidência de AT, durante o ano de 2020. Esta diminuição foi mais significativa inicialmente, tendendo a atenuar-se com o passar do tempo. São várias as explicações possíveis para a diminuição da incidência de AT durante a Pandemia, sendo a mais óbvia a limitação do número de pessoas em circulação no hospital. A evidência científica relativamente a esta diminuição não é concordante, podendo ser explicada pelas diferenças entre países na definição do conceito de AT e pelas diversas estratégias de confinamento adotadas. Em Portugal, a COVID-19 é reconhecida como uma doença profissional. Porém, caso fosse considerada um AT, os nossos resultados teriam sido completamente distintos, com um aumento exponencial no número e na incidência de AT. Estes dados poderão incentivar uma investigação mais detalhada sobre o impacto da Pandemia nas condições de trabalho.
Description: Dissertação de Mestrado em Saúde Ocupacional apresentada à Faculdade de Medicina
URI: https://hdl.handle.net/10316/113542
Rights: embargoedAccess
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