Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/87462
Title: Aporias de uma «escrita no feminino»: Derrida - Cixous
Authors: Carvalho, Andreia Margarida Pires
Orientador: Bernardo, Fernanda
Keywords: Escrita; Cixous; Derrida; Desconstrução; Diferenças sexuais; Feminino; Cixous; Deconstruction; Derrida; Feminine; Sexual differences; Writing
Issue Date: 19-Jun-2019
Project: info:eu-repo/grantAgreement/FCT/SFRH/SFRH/BD/85331/2012/PT/APORIAS DE UMA «ESCRITA NO FEMININO»: DERRIDA-CIXOUS 
Abstract: A linguagem “não é inocente” – na singularidade de cada idioma ela repercute traços do modelo de pensamento dicotómico-essencialista que determinantemente estruturou, e estrutura ainda, a ocidentalidade filosófico-cultural no seu registo falogocêntrico. Neste contexto, intitulada «Aporias de uma «escrita no feminino»: Derrida – Cixous», a presente investigação tem como principal objectivo pensar as questões da escrita e do feminino à luz das coordenadas teórico-filosóficas do pensamento da Desconstrução de Jacques Derrida salientando, seguidamente, de que modo estas se testemunham singularmente na escrita poético-pensante de Hélène Cixous tal como o filósofo no-la dá a ler e a pensar. No rastro de uma cena aparentemente dual onde teríamos, por um lado, a escrita filosófica de um homem, Derrida, e, por outro lado, a escrita literária de uma mulher, Cixous, a questão principal passará por investigar o que se passa entre cada um destes “lados”, a saber: o que se passa entre “filosofia” e “literatura”, o que se passa entre “homem” e “mulher”, bem como o que se passa entre cada um destes termos cuja suposta uni(denti)dade é já sempre instável, precária, e mesmo ficcional, em razão da própria estrutura aporética que os im-possibilita, isto é, que ao mesmo tempo os condiciona e limita. Neste contexto, num primeiro momento, sob o título «(A)genealogia’s: o pensamento da escrita», estará em questão aproximar a incondicionalidade inerente ao pensamento derridiano da escrita e/ou da différance, evidenciando de que modo este pensamento desconstrói o registo falogocêntrico da ocidentalidade filosófica ao apontar para uma outra noção de tempo (messiânico) e para uma outra noção de língua (língua do outro/marca ou rastro) que, na sua hiper-radicalidade, permitem pensar diferentemente o processo de “identificação subjectiva” do “eu” a partir da arqui-originariedade da experiência de ex-apropriação da língua como experiência de ex-apropriação de si. A incondicionalidade da experiência da língua sustentará o segundo momento, intitulado «Idioma’s: a abertura das diferenças sexuais», onde estará em questão expor de que modo Derrida pensa diferentemente a dita “diferença sexual” (dual e oposicionalmente determinada) em termos de diferenças sexuais. Desenvolvido num duplo trajecto, este segundo momento relevará, por um lado, a indecidibilidade que caracteriza o motivo do feminino pensado em sede desconstrutiva, isto é, distinto do “feminino” entendido como parte integrante da dita “diferença sexual”, salientando de que modo esta indecidibilidade traduz e testemunha o registo imediata e incondicionalmente afirmativo que caracteriza a relação ao outro como relação à língua do outro. Por outro lado, será exposta a questão da literatura a partir da aporeticidade do funcionamento do “género literário”, ponto que, permitindo aproximar a experiência da língua como “génese” comum tanto da “literatura” como da “filosofia” (cujas implicações se repercutirão na leitura derridiana da escrita cixousiana), nos permitirá também evidenciar a sua exemplaridade no que concerne o funcionamento do “género” em geral, permitindo assim salientar a singular proximidade da (in)traduzibilidade entre as “línguas” e da (in)traduzibilidade entre os “sexos”. Pensada a partir do registo diferentemente feminino de uma experiência de ex-apropriação da língua que, na sua originariedade, constitui também a experiência de ex-apropriação de si, esta singular proximidade permitirá demonstrar que todo o “eu” é já sempre sexualmente marcado, embora essa marca não se defina nem se delimite numa determinação unitária, dual e/ou dialectizável da “diferença sexual”. No terceiro momento, intitulado «Da «diferença sexual» à «escrita no feminino»», seguiremos a leitura derridiana da escrita poético-pensante cixousiana tentando demonstrar de que modo esta constitui um exemplo único de uma “escrita no feminino” (distinta de uma “escrita feminista” e de uma “escrita de mulheres”) cuja genialidade (para além de toda a generalidade e/ou genericidade) coloca em cena a contaminação e o transbordamento do’s género’s em geral, tanto na sua determinação “literária” como na sua determinação “sexual”. Orientado pela incondicionalidade que caracteriza tanto o motivo da escrita como o motivo do feminino pensados em sede desconstrutiva, este trajecto permitirá, por conseguinte, aproximar o registo irredutivelmente aporético de uma “escrita no feminino” pensada, para além da “diferença de sexos” e para além da “lei do género” em geral, como o gesto de resistência de uma escrita singular e idiomática que traduz e testemunha a multiplicidade não saturável de diferenças sexuais que marcam o “corpo” da língua na qual se escreve marcando, ao mesmo tempo, o “corpo” do “eu” que nela (se) escreve.
Language “is not innocent” – in the singularity of each idiom it reflects traces of the dichotomous-essentialist thought which determinately structured, and still structures, the philosophical and cultural occidentality in its phallogocentric register. In this context, the main purpose of the present investigation, entitled «Aporias de uma «escrita no feminino»: Derrida – Cixous» [Aporias of a «writing in the feminine»: Derrida – Cixous], is to think the questions of writing and feminine in the light of the theoretical-philosophical coordinates of Jacques Derrida’s thought of Deconstruction; highlighting, subsequently, how these coordinates are singularly stated in Hélène Cixous’s poetic-thinking writing, as given to us by the philosopher to read and think. Following an apparently dual scene where one would have, on the one hand, a man’s philosophical writing, Derrida, and on the other hand, a woman’s literary writing, Cixous, the main question will be to investigate what passes between each “side”, that is to say: what passes between “philosophy” and “literature”, what passes between “man” and “woman”, as well as what passes between each one of these terms whose supposed uni(denti)ty is already always instable, precarious, and even fictional, by virtue of the aporetic structure which makes them im-possible or, stated differently, which conditions and limits them at the same time. In this context, under the title «(A)genealogia’s: o pensamento da escrita» [(A)genealogy/ies: the thought of writing], we will begin by approaching the unconditionality inherent to Derrida’s thought of writing and/or différance, highlighting how it deconstructs the phallogocentric register of the philosophical occidentality by pointing to another notion of time (messianic) and another notion of language (language of the other/marque or trace). The hyper-radicality of these notions will allow us to differently understand the process of “subjective identification” of the “I” from the archi-originarity of the experience of ex-appropriation of language as experience of ex-appropriation of the self. The unconditionality of the experience of language will sustain the second moment, entitled «Idioma’s: a abertura das diferenças sexuais» [Idiom’s: the opening of sexual differences], where we will demonstrate how Derrida re-thinks the so-called “sexual difference” (which is dually and oppositionally determined) in terms of sexual differences. Developed within a dual path, this second moment will emphasize, on the one hand, the undecidability that characterises the motif of the feminine in deconstructive stance, showing how this undecidability translates and testifies the immediately and unconditionally affirmative register characteristic of the relation to the other as relation to the language of the other. On the other hand, we will follow the question of literature through the aporeticity of the functioning of the “literary genre”, which will allow us to approach the experience of language as the shared “genesis” of both “literature” and “philosophy” (whose implications will reflect on Derrida’s reading of Cixous’s writing). We will also highlight the exemplarity of the “literary genre” concerning the functioning of “genre” in general, aiming to point out the singular proximity among the (un)translatability between “languages” and the (un)translatability between “sexes”. Approached from the differently feminine register of an originary experience of ex-appropriation of language as experience of ex-appropriation of the self, this singular proximity will allow us to demonstrate that each and every “I” is always already sexually marked, although that mark does not define nor delimitate itself in a unitary, dual and/or dialectical determination of “sexual difference”. Thirdly, under the title «Da «diferença sexual» à «escrita no feminino»» [From «sexual difference» to a «writing in the feminine»], we will follow Derrida’s reading of Cixous’s poetic-thinking writing, trying to demonstrate how it constitutes an unique example of a “writing in the feminine” (distinct both from “feminist writing” and “women’s writing”) whose geniality (besides all generality and/or genericity) puts into motion a contamination and an overflowing of genre(s) in general, both in its “literary” and “sexual” determination. Guided by the unconditionality of both the motif of writing and the motif of feminine in deconstructive stance, this path will allow us to approach the irreducibly aporetic register of a “writing in the feminine” (besides the “difference of sexes” and besides the “law of genre” in general) as a gesture of resistance of a singular and idiomatic writing that translates and testifies the non-saturable multiplicity of sexual differences that mark the “body” of language in which one writes, marking, at the same time, the “body” of the “I” which writes (itself) on it.
Description: Tese de Doutoramento em Filosofia, apresentada ao Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/87462
Rights: openAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de Filosofia - Teses de Doutoramento

Files in This Item:
File Description SizeFormat
Aporias de uma escrita no feminino.pdf8.32 MBAdobe PDFView/Open
Show full item record

Page view(s)

144
checked on Jul 29, 2020

Download(s)

144
checked on Jul 29, 2020

Google ScholarTM

Check


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.