Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/26974
Title: Towards a decolonial reading of Tivolem: E ainda há mais mundo, chega lá
Authors: Gupta, Gitika 
Orientador: Silvestre, Osvaldo Manuel
Santana, Maria Helena
Keywords: decolonial; Portuguese/Lusophone Postcolonialism; Goan Literature
Issue Date: 1-Jul-2015
Citation: Gupta, Gitika - Towards a decolonial reading of Tivolem : e ainda há mais mundo, chega lá. Coimbra : [s.n.], 2015. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/26974
Abstract: Late capitalism has misappropriated the socio-cultural capital of imperial memory, postcoloniality being a case in point. Anglocentric postcolonialism and the privileged non–materialist literary readings failed to adequately problematize the socio-cultural geopolitics of imperial memories. Hence, the concomitant rise of Francophone, Italophone, Germanophone, Hispanophone, and Lusophone postcolonial studies along with doubts about the future of Anglophone postcolonial studies. The non–Anglophone postcolonial turn entails postcoloniality in its local or neo–eurocentric avatars with a rehearsal of the earlier reconciliatory vs. anti–colonial debate within Anglophone postcolonial studies. Notwithstanding the marginalization of the non–anglophone colonial histories within Anglophone postcolonial studies, it is contentious how the recent postcolonial scholarships engaging with other European empires reckon with the imperial turn and imperial historiography within their respective metropole centers. In keeping with the criticisms against postcolonial scholarships of non–anglophone empires, the discursive deliberations of imperial memories within Lusophone/Portuguese postcolonialism appear mere nostalgic revisitations rather than critically revisionary in nature. Portuguese imperial history still continues on exceptionalist lines of neo–lusotropicalism and historical irony that such a small country established one of the first colonial empires which outlasted those of other European nations. Also, the long Colonial Wars and the incoming Retornados prevail as anomalies associated with Portuguese imperialism. The exclusionary literary corpus of Lusophone postcolonialism exposes the selective amnesia and metrocentric nature of Portuguese imperial memories which surreptitiously sustain collective self-willed amnesia. The discursive marginalization of Asian ex–colonies within Lusophone postcolonialism in particular, and within imperial historiography at large, is read in terms of Ann Stoler’s colonial aphasia in order to engage critically with this imperial amnesia. Privileging the propositions of Boaventura de Sousa Santos, the mapping of Lusophone/Portuguese postcolonialism reveals how it is complicit with postcoloniality. Problematizing his subaltern/semi-peripheral hypotheses of Portuguese colonialism lends weight to the contention that contrary to the sociologist’s claim, the geopolitical space of Portuguese colonialism fails to act convincingly as counter-hegemonic globalization in its opposition to dominant version of postcolonialism. Rather, the assumed Portuguese marginality as the locus of enunciation of oppositional postcolonialism invokes intercolonial narcissism and further mystifies his call for reprovincialization of Europe. In fact, the marginocentric essentialist discourse of Portuguese imperialism remains concomitant with his undifferentiated call for defamiliarizing vis-à-vis the imperial South. Far from being decolonial interventions, the sociologist’s discourses necessitate the exigency of decolonializing of Portuguese imperial history. Tivolem (1998) by Victor Rangel-Ribeiro discursively challenges some of the hypotheses by the Portuguese sociologist especially the phrase pre-postcolonialism. Arguing that far from running the risk of being colonialist in his eagerness to be anti–colonialist, as the sociologist claims, in Tivolem the colonial elite emerges as severely alienated. Observing the narrative’s elite standpoint, the reading well distinguishes the colonial elites’ reappropriating and reclaiming of the colonial past. Through the everyday epistemologies of return migrants from various Portuguese colonies around the 1930s, the fictional Goan village narrates the colonial socio-dynamics of the stayees and returnees, the elites’s reflective nostalgia rendered as social capital of communitarian ties. This reading also lays the groundwork to propose the term bebincaized, employed as a literary allegory for Goan history. The term intends to invoke alterna(rra)tives to the received Histories about Goa and its colonial past. Decolonializing Portuguese imperial History reckons not only confronting the past, but also subscribing to the imperial turn in terms of a desanitized and comprehensive, as opposed to a selective imperial memory. And still there are more world, go on (E ainda há mais mundo, chega lá as in the title) would be a befitting amelioration of the infamous Camonian exhortation that if more world existed we would have gone there (“E se mais mundo houvera lá chegara”).
O capitalismo tardio tem-se apropriado do capital cultural da memória imperial, como é o caso da póscolonialidade. O póscolonialismo anglocêntrico e as leituras literárias não-materialistas não têm problematizado adequadamente a geopolítica sócio-cultural das memórias imperiais. Em simultâneo, verifica-se o crescimento dos estudos póscoloniais francófonos, italófonos, germanófonos, hispanófonos e lusófonos, juntamente com as dúvidas sobre o futuro dos estudos póscoloniais anglófonos. A viragem póscolonial não-anglófona implica rever a póscolonialidade em seus avatares locais ou neo–eurocêntricos, bem com a antinomia reconciliatório vs. anti–colonial anteriormente debatida no âmbito dos estudos anglófonos. Não obstante a marginalização das histórias coloniais não–anglófonas (dentro dos estudos póscoloniais anglófonos), é controverso o modo como as recentes correntes críticas de estudos pós– coloniais que envolvem outros impérios europeus lidam com a viragem imperial e com a historiografia imperial dentro das suas respectivas metrópoles. Em consonância com as críticas contra as correntes póscoloniais de impérios não–anglófonos, as manifestações discursivas de memórias imperiais dentro póscolonialismo lusófono/português parecem mais revisitações nostálgicas do que verdadeiramente uma revisão crítica. Trata-se a história imperial portuguesa ainda numa atitude de excepcionalismo neo–lusotropicalista e da ironia histórica que permitiu a um país tão pequeno estabelecer um dos primeiros impérios coloniais, superando os de outras nações europeias. Além disso, as longas Guerras Coloniais e a chegada dos retornados prevalecem como anomalias associadas ao imperialismo português. O corpus literário do póscolonialismo lusófono revela, através da sua exclusão, a amnésia seletiva e a natureza metrocêntrica das memórias imperiais portuguesas que, sub-repticiamente, sustentam uma amnésia coletiva e organizada. Assim, a marginalização discursiva das ex–colónias asiáticas no pós-colonialismo lusófono em particular, e na historiografia imperial em geral, é aqui lida em termos de afasia colonia (conceito proposto por Ann Stoler), a fim de analisar de forma crítica essa amnésia imperial. Privilegiando as posições do Boaventura de Sousa Santos, o mapeamento do póscolonialismo lusófono/português revela como é conivente com a pós-colonialidade. A problematização dos seus conceitos de subalterno/semi-periférico aplicados ao colonialismo português dá peso ao argumento de que, ao contrário do discurso do sociólogo, o espaço geopolítico do colonialismo português falha em atuar convincentemente como globalização contra-hegemónica, em oposição à versão dominante do póscolonialismo. Em vez disso, a marginalidade portuguesa, assumida como o locus da enunciação do póscolonialismo de oposição, invoca narcisismo intercolonial e mistifica ainda mais o seu apelo para uma reprovincialização da Europa. Na verdade, o discurso marginocêntrico e essencialista do imperialismo português continua a ser concomitante com a sua indiferenciada atitude de desconhecimento em relação ao Sul imperial. Longe do seu objetivo, os textos do sociólogo necessita m – na nossa opinião – a exigência de descolonializar a história imperial portuguesa. Tivolem (1998) de Victor Rangel-Ribeiro desafia discursivamente algumas das hipóteses do sociólogo português, sobretudo o termo pré–pós–colonialismo. Argumentamos que, longe de correr o risco de ser colonialista no seu afã anticolonial, como o sociólogo reivindica, em Tivolem, a elite colonial surge como severamente alienada. Observando o ponto de vista elite da narrativa, a nossa leitura também distingue a sua reapropriação e reclamação do passado colonial. Através das epistemologías quotidianas dos migrantes em retorno das várias colónias portuguesas pela década de 1930, a aldeia goesa ficcional narra a sócio-dinâmica colonial dos habitantes locais e dos retornados, em que a nostalgia reflexiva das elites funciona como um capital social de laços comunitários. Esta leitura também estabelece a base para propor o termo bebincaized, utilizando-o como alegoria literária para a história de Goa. O termo tem a intenção de invocar alterna(rra)tivas às histórias recebidas acerca de Goa e do seu passado colonial. Descolonializar a História portuguesa imperial implica não apenas confrontar o passado, mas também contribuir para a viragem imperial no sentido de uma memória imperial desigienizada e abrangente, ao contrário de uma memória imperial seletiva. E ainda há mais mundo, chega lá (como se diz no título) seria uma nova versão condizente da famosa exortação camoniana —E se mais mundo houvera, lá chegara.
Description: Tese de doutoramento em Literatura de Portuguesa, no ramo de Investigação e Ensino, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/26974
Rights: openAccess
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