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Title: Factores de Risco da Depressão Pós-Parto: Uma Abordagem Multidimensional
Authors: Marques, Mariana Vaz Pires 
Orientador: Azevedo, Maria Helena Pinto de
Bos, Sandra Carvalho
Keywords: Depressão pós-parto; Factores de risco
Issue Date: 28-Feb-2012
Citation: MARQUES, Mariana Vaz Pires - Factores de risco da depressão pós-parto: uma abordagem multidimensional. Coimbra : [s.n.], 2011. Tese de doutoramento
Abstract: Introdução: São poucos os estudos que, no nosso país, tenham investigado simultaneamente o papel de factores de risco (FRs) e correlatos pertencentes a vários domínios (e.g. clínico, social…) no desenvolvimento de sintomatologia depressiva no pós-parto (PPt)/depressão pósparto (DPP). Por outro lado, quer em Portugal, quer internacionalmente, poucos combinam as abordagens categorial e dimensional quando se dedicam ao tema e/ou exploram o papel das variáveis de sono e da insónia na determinação dos outcomes. O nosso principal objectivo foi analisar potenciais associações e o papel preditivo de vários FRs e correlatos de diferentes domínios no desenvolvimento dos outcomes. Apresentamos, também, alguns dados epidemiológicos e sobre o curso da depressão perinatal. Metodologia: 236 mulheres no terceiro trimestre de gravidez (M=32.58 semanas de gestação; DP=3.61), idade média=30.51 anos (DP=4.02; variação=19-41 anos) preencheram uma booklet com dois questionários (Postpartum Depression Screening Scale/PDSS; Profile of Mood States/POMS), questões avaliando variáveis sócio-demográficas, sociais, de saúde, de sono, cronobiológicas e a insónia, entre outras. Em três momentos distintos do PPt (3, 6 e 12 meses PPt; T1/T2 e T3) as participantes voltaram a preencher a booklet com os mesmos questionários e questões sobre variáveis sociais e algumas questões obstétricas e sobre o bebé (e.g. temperamento difícil). As versões portuguesas da Diagnostic Interview for Genetic Studies (DIGS) e do OPerational CRITeria Checklist for Psychotic Illness (OPCRIT) foram usadas em todos os momentos de avaliação como gold standard para o diagnóstico (ICD-10 e DSM-IV). Nas análises estatísticas recorremos à versão 15.0 do SPSS para Windows e a uma funcionalidade do mesmo para realizar análises de bootstrapping/mediação. Depois de exploradas potenciais associações com diferentes outcomes categoriais e dimensionais, com Chi-square tests for independence, correlações do ponto biserial e testes U de Mann Whitney, foram realizadas análises de regressão logística e múltipla. Resultados: A prevalência de depressão em toda a vida foi de 35.6%/ICD-10 e 31.8%/DSMIV. Na gravidez a prevalência foi de 1.7%/ICD-10 e .8%/DSM-IV e a incidência de 0% (ICD- 10 e DSM-IV). A prevalência de período desde o parto até aos 3 meses PPt foi de 16.9%/ICD-10 e 12.3%/DSM-IV, desde o parto até aos 6 meses PPt de 12.3%/ICD-10 e 9.7%/DSM-IV e desde o parto até aos 12 meses PPt de 11.0%/ICD-10 e 8.9%/DSM-IV. A pontuação média na PDSS mostrou-se mais elevada na gravidez que no PPt e foi diminuindo ao longo do mesmo: 47.37 (DP=14.15) no T1, 45.94 (DP=16.74) no T2 e 43.85 (DP=12.31) no T3. As prevalências de período na gravidez e no PPt/T1 de acordo com a PDSS foram, respectivamente, de 11.7% (Depressão Major/DSM-IV) e de 17% (Depressão/ICD-10) e de 14.8% (Depressão Major/DSM-IV e Depressão/ICD-10). A incidência anual de DPP foi de 21.1%/ICD-10 e 13.9%/DSM-IV. A percentagem de primeiros inícios de DPP foi de 9.3%/ICD-10 e 6.4%/DSM-IV, com 11.8%/ICD-10 e 7.5%/DSM-IV das mulheres a apresentar uma recorrência. A maioria dos episódios depressivos no PPt teve início dentro das primeiras cinco semanas PPt (79.2%/ICD-10; 75%/DSM-IV) e a grande maioria apresentou até 3 meses de duração (89.7%/ICD-10; 82.0%/DSM-IV). Nas análises categoriais focámonos nos casos de acordo com a ICD-10 e com início até aos 3 meses PPt, dado o número reduzido de casos com início depois desse momento. Onze variáveis revelaram associações significativas com o outcome DPP (primeiro início de depressão neste PPt+recorrência de depressão neste PPt) embora, na análise de regressão logística, considerando apenas as variáveis avaliadas na gravidez, só a insónia na gravidez e a pontuação total da dimensão Afecto Negativo do POMS (POMS_AN_T0) tenham mostrado ser preditores significativos do outcome, com a segunda a mediar a relação da insónia na gravidez com o outcome. Noutra análise de regressão logística, considerando as variáveis avaliadas na gravidez e no T1, as duas variáveis anteriores continuaram a ser preditores significativos, juntamente com a percepção de stresse e a insónia no T1. Quando consideradas conjuntamente, só a percepção de stresse mediou a relação entre insónia na gravidez e o outcome. Cinco variáveis revelaram associações com o outcome ter DPP (primeiro início de depressão neste PPt) mas uma análise de regressão logística revelou que, considerando apenas as variáveis avaliadas na gravidez, só a insónia na gravidez e a POMS_AN_T0 eram preditores significativos, sem que se verificasse mediação. Considerando as variáveis avaliadas na gravidez e no T1, a insónia na gravidez e a percepção de stresse no T1 foram os preditores significativos com a segunda variável a mediar a relação da primeira com o outcome. Nas análises dimensionais, focámonos no outcome gravidade da sintomatologia depressiva no T1, T2 e T3 (PDSS_T1, PDSS_T2 e PDSS_T3). O número de associações encontradas com os outcomes foi grande, pelo que não as detalhamos aqui. Porém, uma regressão múltipla hierárquica, quando consideradas apenas as variáveis avaliadas na gravidez, mostrou que a história de depressão em toda a vida, a insónia na gravidez e a POMS_AN eram os preditores significativos do outcome PDSS_T1, com a última variável a mediar a relação entre a história de depressão em toda a vida e o outcome. Outra análise de regressão múltipla com as variáveis avaliadas na gravidez e no T1 mostrou que tanto as variáveis da análise anterior como a pontuação total no questionário sobre o temperamento difícil do bebé no T1 e a pontuação total na dimensão Afecto Positivo do POMS no T1 eram preditores significativos da PDSS_T1. De novo, apenas a POMS_AN mediou a relação entre história de depressão em toda a vida e o outcome. Quanto ao outcome PDSS_T2 focando as variáveis avaliadas no T0 e T1, apenas a pontuação total de PDSS na gravidez e pontuação total de PDSS_T1 foram preditores significativos do outcome com a segunda a mediar a relação da primeira com o outcome. Analisando as variáveis avaliadas no T0, T1 e T2 para além das variáveis anteriores, a insónia no T2 surgiu como preditor significativo. A insónia no T2 e a PDSS_T1 mediaram a relação entre a PDSS_T0 e a PDSS_T2. Relativamente ao outcome PDSS_T3, quer considerando apenas as variáveis avaliadas no T0, T1 e T2, quer as avaliadas em todos os momentos, os preditores significativos do outcome foram: pontuação total da PDSS_T0, da PDSS_T1 e da PDSS_T2. A PDSS_T1 foi, nas duas situações, a única a mediar a relação entre a PDSS_T0 e o outcome. Conclusões: Apesar de terem sido encontradas várias associações significativas, nas análises exploratórias, entre diferentes FRs e correlatos e os outcomes categoriais e dimensionais, as análises de regressão logística e múltipla hierárquica permitiram chegar a padrões de predição. Na abordagem categorial, acentuamos o papel preditivo constante das variáveis insónia na gravidez e Afecto Negativo para a DPP. O achado relativo à insónia na gravidez assume particular relevância porque são poucos os estudos que focam o seu papel enquanto FR para a DPP e porque, no nosso estudo, esta variável anulou, inclusivé, associações encontradas nas análises prévias com variáveis que em estudos existentes mostraram ser preditores significativos de DPP. Na abordagem dimensional, a história em toda a vida de depressão e o Afecto Negativo, de novo, surgiram consistentemente como preditores significativos da gravidade da sintomatologia depressiva aos 3 meses PPt. No caso da gravidade da sintomatologia depressiva aos 6 e 12 meses PPt, confirmou-se o papel preditivo da gravidade da sintomatologia depressiva em momentos anteriores de avaliação. Em qualquer outcome dimensional os resultados são consistentes com os estudos prévios: a história de depressão prévia em toda a vida e de sintomatologia depressiva na gravidez ou em momentos anteriores do PPt predizem significativamente essa mesma sintomatologia.
Background/aims: There are few studies in Portugal assessing simultaneously the role of risk factors (RFs) from different domains (clinical, social…) in the development of postpartum depressive symptomatology/depression (PPD). Furthermore, either in our country, either internationally few combine a categorial and dimensional approach when considering this subject and/or explore the role of sleep variables and of insomnia in the development of the outcomes. Our main aim was to analyse potential associations and the predictive role of various RFs and correlates from distinct domains in the development of postpartum depressive symptomatology/PPD. We also present some epidemiological and course related data about perinatal depression. Methods: 236 women at their last trimester of pregnancy (M=32.58 weeks of gestation; SD=3.610), mean age=30.51 years (SD=4.022; range=19-41) answered a booklet composed of two questionnaires (Postpartum Depression Screening Scale/PDSS; Profile of Mood States/POMS) and several questions assessing sociodemographic, social, health, sleep and chronobiological variables, as well as questions regarding insomnia, among others. At three distinct postpartum moments (at three, six and twelve months postpartum; T1, T2 and T3) women filled in again a booklet with the same questionnaires and the same questions about social variables, as well as some questions regarding obstetric variables and related to the baby (e.g. his/her temperament). The Portuguese versions of Diagnostic Interview for Genetic Studies (DIGS) and of the Operational CRITeria Checklist for Psychotic Illness (OPCRIT) were used at all assessment moments as our gold standard for diagnoses (ICD-10 and DSM-IV). Statistical analyses were conducted with the 15.0 version of SPSS for Windows and with a macro of this program, to conduct bootstrapping/mediation analyses. After exploring potential associations with different categorical and dimensional outcomes, using Chi-square tests for independence, point-biserial correlations and Mann Whitney tests, logistic and multiple regressions were conducted. Results: The lifetime prevalence of depression was of 35.6%/ICD-10 and 31.8%/DSM-IV. In pregnancy, prevalence of depression was of 1.7%/ICD-10 and .8%/DSM-IV and depression incidence of 0% according to both classification systems. Period prevalence since birth until three months postpartum was of 16.9%/ICD-10 and 12.3%/DSM-IV, from birth until six months postpartum was of 12.3%/ICD-10 and 9.7%/DSM-IV and since birth until twelve months postpartum was of 11.0%/ICD-10 and 8.9%/DSM-IV. The mean PDSS total score was higher in pregnancy than in the PPt and it decreased during this period: 47.37 (SD=14.15) at T1, 45.94 (SD=16.74) at T2 and 43.85 (SD=12.31) at T3. The period prevalence in pregnancy and PPt/T1 were, respectively, according to PDSS 11.7% (Major Depression/DSM-IV) and 17% (Depression/ICD-10) and of 14.8% (Major Depression/DSMIV and Depression/ICD-10). The annual PPD incidence was of 21.1%/ICD-10 and 13.9%/DSM-IV. PPD new onsets occurred in 9.3%/ICD-10 and 6.4%/DSM-IV of the sample and 11.8%/ICD-10 and 7.5%/DSM-IV experienced a recurrence. Most postpartum depressive episodes began at the first fifth weeks after birth (79.2%/ICD-10 and 75%/DSM-IV) and most of them had a duration at maximum of three months (89.7%/ICD-10 and 82.0%/DSM-IV). In the categorical analyses we focused at the ICD-10 cases and at those which began until three months postpartum, due to the reduced number of cases beginning after that period. Eleven variables revealed significant associations with the outcome PPD (new onset of depression at this postpartum+recurrence of depression at this postpartum) but, a logistic regression, considering only the variables assessed at pregnancy, showed that only insomnia in pregnancy and the total score of the POMS Negative Affect dimension (POMS_NA_T0) were significant predictors of the outcome, with the second variable mediating the relation between insomnia in pregnancy and the outcome. A new logistic regression, considering simultaneously variables assessed at pregnancy and at T1, showed that the previous variables were still significant predictors, as well as stress perception and insomnia at T1. When considered simultaneously only stress perception mediated the relation between insomnia in pregnancy and the outcome. Five variables revealed associations with the outcome PPD (new onset of depression at this postpartum) but a logistic regression showed that, considering only the variables evaluated at pregnancy, insomnia and POMS_NA_T0 were the only significant predictors, exactly with same mediation pattern. When analysing variables assessed at pregnancy and T1, insomnia in pregnancy and stress perception at T1 showed to be the significant predictors, with the second partially mediating the relation of the previous with the outcome. Considering dimentional analyses, we focused on three outcomes: postpartum depressive symptomatology severity at T1, T2 and T3 (PDSS_T1, PDSS_T2 and PDSS_T3). The number of associations found with all the outcomes was considerable and that is why we do not present them here in detail. However, a hierarquical multiple regression, when considering only variables assessed at pregnancy, showed that lifetime history of depression/ICD-10, insomnia in pregnancy and POMS_AN_T0 were the significant predictors of PDSS_T1, with the last variable mediating the relation between lifetime history of depression and the outcome. Another hierarquical multiple regression, including variables assessed at pregnancy and T1, showed that not only the variables from the previous analysis but also the total score of the questionnaire about infant difficult temperament at T1 and the total score of the POMS Positive Affect dimension were significant predictors of PDSS_T1. However, only POMS_AN_T0 mediated the relation between lifetime history of depression and the outcome. Regarding PDSS_T2, considering variables measured at T0 and T1, only the total score of PDSS_T0 and of PDSS_T1 showed to be significant predictors of the outcome with the second mediating the relation bewteen PDSS_T0 and PDSS_T2. When analysing variables assessed at T0, T1 and T2, not only the previous mentioned variables but also insomnia ate T2 were significant predictors of PDSS_T2. Insomnia at T2 and PDSS_T1 mediated the relation between PDSS_T0 and PDSS_T2. Finally, pertaining PDSS_T3, either focusing on the variables evaluated at T0, T1 and T2 or in the variables assessed at all assessment moments, the significant predictors of the outcome were total score of PDSS_T0, PDSS_T1 and PDSS_T2, with the second, in both cases, being the only variable mediating the relation between PDSS_T0 and the outcome. Conclusions: Although, in the exploratory analyses, significant associations were found between different RFs/correlates and the categorical and dimensional outcomes, logistic and hierarquical multiple regressions showed particular patterns of prediction. It is relevant to accentuate, in the categorical approach, the constant predictive role of the variables insomnia in pregnancy and total score of the Negative Affect for PPD. The finding regarding insomnia in pregnancy is very important because few studies consider its role as a RF for PPD and because in our work, this variable seemed to anulate the associations found in previous analyses with variables which in the existent studies showed to be PPD significant predictors. In the dimensional approach, lifetime history of depression and Negative Affect were significant predictors of postpartum depressive symptomatology severity at three monts postpartum. Regarding the same outcome at T2 and T3, we confirmed the predictive role of depressive symptomatology in the previous moments. Concerning the dimensional outcomes, the results are consistent with previous studies: lifetime history of depression and depressive symptomatology in previous postpartum moments significantly predict that symptomatology.
Description: Tese de doutoramento em Ciências da Saúde, no ramo de Ciências Biomédicas, apresentada à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/18465
Rights: openAccess
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