Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/87737
Title: Defender almas e corpos nos Açores (1534-c.1600). Arquitectura, urbanismo e fortificação
Other Titles: Defending souls and bodies in the Azores (1534-c. 1600). Architecture, urbanism and fortifications
Authors: Leite, Antonieta Reis 
Keywords: Arquipélago dos Açores; Luteranos; Fortificação; Arquitectura; Urbanismo; Azores archipelago; Lutherans; Fortification; Architecture; Urbanism
Issue Date: Sep-2019
Publisher: CHAM & Húmus
Serial title, monograph or event: Martinho Lutero e Portugal: diálogos, tensões e impactos
Place of publication or event: Lisboa
Abstract: Em carta de 1586, a câmara das Lages do Pico pede a el-rei que mande o capitão residir na sua capitania “porque como não temos cabesa que nos reja e governe estamos em muito perigo de sermos entrados por luteranos”. Este documento reflecte o quadro geral que bastantes outras fontes confirmam para as ilhas Atlânticas, quadro onde claramente se percebe que ao longo do século XVI, movidas pela ameaça “luterana”, as ilhas, designadamente o arquipélago dos Açores, demandaram acções de fortificação das suas costas, em particular dos seus principais portos. Assim, a partir de meados do século o investimento na fortificação foi fortemente impulsionado pela Coroa, através do envio de duas missões às ilhas, a primeira em 1552, liderada por Isidoro de Almeida, e a segunda, em 1567, pelos italianos Tomaso Benedeto e Pompeo Arditi, esta última na sequência directa do ataque francês (“luterano”) consumado contra a Vila Baleira na ilha do Porto Santo e contra o Funchal na Madeira, no ano anterior. Em certa medida poderá dizer-se que os “luteranos” deram nome e forma concreta a uma ameaça constante para as populações das ilhas, o corso, e ainda pelo impacto que causaram, enquanto definição mais clara do perigo que representavam para corpos e almas, que exigiram acções concertadas de resposta a um perigo concreto. Este esforço é coincidente com a consolidação do processo de povoamento e, por maioria de razão, com a consolidação do processo de urbanização das ilhas iniciado cerca de um século antes. Por outro lado, numa escala muito maior, é também coincidente no tempo, com a inovação da pirobalística que revolucionou as tipologias de fortificação e, no espaço, com a progressiva redefinição da geografia Atlântica e das fronteiras dos territórios além-mar, paralela, por sua vez, a uma cada vez mais complexa construção social do espaço, de que o binómio Reforma / Contra-Reforma da fé católica será uma das faces mais visíveis. Como se relaciona o processo de fortificação do arquipélago do Açores no século XVI, com a ameaça “luterana” e como se expressa materialmente no urbanismo, na arquitectura e na fortificação das ilhas, é o tema global apresentado por esta proposta de comunicação. Pretende-se sobretudo focar os casos de Angra e Praia na ilha Terceira e de Ponta Delgada em São Miguel, compreendendo os seus processos de urbanização e fortificação, particularmente aqueles momentos marcados pelas referidas missões de engenheiros militares enviados pela Coroa. Em concreto, pode ser referida e desenvolvida, a elevação de Angra a sede episcopal e a cidade (1534), processo enquadrado pela estratégia global dinamizada por D. João III para a reorganização do Império, que, no caso desta cidade, deixou uma profunda marca material na expressão arquitectónica, envolvendo, além a construção de uma nova catedral (1570), a reestruturação da malha urbana, e ainda a fundação do Colégio dos Jesuítas, de iniciativa régia. Ambos os processos estão claramente enquadrados no espírito da Contra-Reforma, surgindo como evidente expressão material desse contexto. Como principais recursos esta proposta usa a análise histórico-morfológica das malhas urbanas, sustentada pelos dados recolhidos nas fontes e documentos coevos dos processos analisados.
In a letter addressed to the king in 1586, the municipality of Lages, on the island Pico, requested that the monarch order the captain to live in the captaincy “since without a head to order and govern us, we are in great danger of being invaded by the Lutherans.” This document illustrates a general scenario, confirmed by various documental sources regarding the Azores throughout the 16th century, showing how the “Lutheran” threat led the inhabitants of the islands to demand that their coastlines, and especially their main ports be fortified. In the mid 16th century the Crown began sponsoring the investment in fortifications. Two missions of military engineers were sent to the islands; the first, in 1552, was led by Isidoro de Almeida. The second, carried out in 1567 included the Italians Tomaso Benedeto and Pompeo Arditi, and came after the French (Lutheran) attack perpetrated the previous year against Vila Baleira in the island of Porto Santo, and Funchal in the island of Madeira. To some degree one could say that the “Lutherans” put a name and face on a threat that since the beginning of the islands’ settlement had constantly assailed the cities, towns and villages of the Atlantic archipelagos: piracy. The clearest danger represented by pirates was to the bodies and souls of the islanders, who demanded that concerted action be taken to protect the islands. This fortification effort coincided with the consolidation of the settlement and urbanization processes that had begun in the previous century. On a larger scale, it also coincided with the evolution of ballistics and fortification typologies, and a redefinition of the Atlantic geography and new boundaries in the overseas territories. All these opened the way to a much more complex social construction of space, for which the binomial Reform/Counter Reform of the Catholic faith became one of its most visible faces. The main aim of this paper is to identify how the fortification process of the Azores in the 16th century relates to the “Lutheran” threat, and how it is expressed materially, namely in urban planning, and religious and military architecture of the archipelago. To that end the presentation will focus in the study cases of Angra and Praia on the island of Terceira, and of Ponta Delgada on the island of São Miguel. We will address how the urbanization and fortification processes took place, especifically during the missions of the military engineers sent by the Crown. Attention wil be given to Angra’s ascension to city and episcopal see (1534), as part of a dynamizing strategy by king John III to reorganize the Portuguese Empire. In the case of Angra, this resulted in major restructuring of the urban layout, as well as the building of a new cathedral and a new Jesuit school. Both projects were clear evidence of the spirit of the Counter Reformation. The main resources used for this paper relied on a historical and morphologic analysis of urban networks, based on data from contemporary sources and documents.
URI: http://hdl.handle.net/10316/87737
ISBN: 978-989-755-426-1
978-989-8492-65-4
Rights: openAccess
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