Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/87465
Title: Entre as Imagens e os Espíritos: Encontros com a Memória da Guerra de Libertação na Guiné-Bissau
Authors: Laranjeiro, Catarina de Castro
Orientador: Ribeiro, António Sousa
Martins, Bruno Sena
Keywords: Luta de Libertação; Guiné-Bissau; Cinema; Cosmologia Política; Memória; Liberation Struggle; Guinea Bissau
Issue Date: 24-Apr-2019
Project: info:eu-repo/grantAgreement/FCT/PD/PD/BD/52253/2013/PT/DA FOTOGRAFIA AOS MEMORIAIS DE GUERRA: MODOS DE SILENCIAR E SALVAGUARDAR A MEMÓRIA DA GUERRA DE LIBERTAÇÃO/COLONIAL NA GUINÉ-BISSAU 
Abstract: Assumindo o papel da imagem enquanto instrumento de memória, objecto capaz de fixar o passado no presente, mas também de fazer imaginar alternativas futuras, proponho-me analisar a filmografia produzida no decorrer da Luta de Libertação na Guiné-Bissau. Ancorada nas abordagens pós-coloniais, vou procurar, num primeiro momento, desenhar como estas informam, metodologicamente, a análise das imagens, para, em seguida, reflectir sobre a representação criada sobre uma das lutas anti-coloniais mais celebradas no continente africano. Para tal, foi crucial elaborar uma profunda reflexão histórica sobre o território da Guiné-Bissau, retrocedendo ao período colonial e pré-colonial, assim como a leitura cuidada sobre os diferentes episódios de instabilidade política que aí se reproduzem desde a independência. Prestou-se especial atenção ao discurso veiculado pelo PAIGC, movimento de libertação que, desde a sua génese, se afirmou como partido, pela voz singular de Amílcar Cabral. Os muitos exercícios retóricos que o líder histórico deixou como legado escrito foram colocados em contraste com formas de organização social e política, mantidas pela população rural, tanto à margem como em diálogo com os diferentes Estados que se propuseram governá-la. Este exercício de contrastes foi fundamental para a análise dos filmes produzidos pelos diferentes cineastas estrangeiros que visitaram as então chamadas “zonas libertadas”, assim como pelos quatro realizadores guineenses formados em Cuba com o intuito criar uma memória fílmica realizada pelos próprios. No corpus fílmico reunido encontra-se a vontade de criar outra tipologia de representações sobre aqueles que até então eram reféns de imagens coloniais, com todas as implicações políticas, marcadas por uma enorme violência, que tal acarreta. Porém, as “imagens de libertação” criadas revelam como este processo foi marcado por novas ausências e exclusões, que o trabalho etnográfico, realizado na tabanca de Unal, deu a conhecer. Falamos particularmente da ampla arena da cosmologia política, um campo de diálogo permanente entre os vivos e os mortos, entre homens, mulheres e espíritos, que revelam outras forças determinantes, tanto para a resistência armada como para a difícil reconciliação social no pós-guerra. Assumindo que o “colonialismo como relação social sobreviveu ao colonialismo como relação política” (Santos, 2013: 10), este campo oculto demonstra ainda como as estratégias de resistência à dominação colonial têm sido continuamente reinventadas.
Considering images as instruments of memory, as objects which can bring the past into the present and, also, lead us to imagined alternatives for the future, this dissertation analyzes the filmography produced in the liberation war in Guinea-Bissau. After discussing how post-colonial approaches can inform, methodologically, the analysis of images, I examine the representation of one the most celebrated anti-colonial struggles on the African continent. For this, it was crucial to undertake a profound historical reflection, covering the colonial and pre-colonial period, as well as a careful review of the different episodes of political instability that have been reproduced since independence. Particular attention was paid to the discourse of the PAIGC, the liberation movement that declared itself a party from the outset, especially to the almost singular voice of Amílcar Cabral. The many rhetorical exercises that the historical leader left as written legacies were placed in dialogue with the various forms of social and political organization maintained by the rural population, either in resistance to or in articulation with the different states that have proposed to govern them. This exercise in contrast was fundamental for the analysis of the films produced by the different foreign filmmakers who visited the so-called "liberated zones", as well as the films directed by the four Guinean filmmakers trained in Cuba with the intention of creating their own filmic memory. In the assembled film corpus, we find the willingness to create another depiction of those who until then were hostages of the colonial images, with all of their political implications, marked by an enormous violence, and what this entailed. However, the ensuing "liberation images" reveal that this process was also marked by new absences and exclusions, which the ethnographic research in Unal village demonstrated in greater depth and detail. I am referring in particular to the broad arena of political cosmology, a field of permanent dialogue between the living and the dead, among men, women, and spirits, which reveals other determining forces, both for armed resistance and for difficult post-war social reconciliation. Considering that "colonialism as a social relation survived colonialism as a political relation" (Santos, 2013: 10), this hidden field further demonstrates how strategies of resistance to colonial domination have been continuously reinvented.
Description: Tese de Doutoramento em Pós-Colonialismos e Cidadania Global, apresentada à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/87465
Rights: embargoedAccess
Appears in Collections:FEUC- Teses de Doutoramento

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