Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/23582
Title: Depósitos metálicos no Bronze Final (sécs. XIII-VII A.C.) do Centro e Norte de Portugal. Aspetos sociais e arqueometalúrgicos
Other Titles: Final Bronze Age (13th-7th cent. BC) Hoards in the Center and North of Portugal. Social and archaeometallurgy aspects
Authors: Bottaini, Carlo Emanuele 
Issue Date: 24-Jun-2013
Citation: BOTTAINI, Carlo Emanuele - Depósitos metálicos no Bronze Final (XIII-VII A.C.) do Centro e Norte de Portugal. Aspectos sociais e arqueometalúrgicos. Coimbra : [s.n.], 2013. Tese de doutoramento
Abstract: Apesar das escavações que, particularmente nas últimas três décadas, têm incidido sobre diversos povoados do Ocidente Ibérico, a maior quantidade de objectos metálicos atribuídos ao Bronze Final (sécs. XIII/VII a.C.) conhecidos no Centro e Norte de Portugal, procede de estruturas arqueológicas que a bibliografia de língua portuguesa tem vindo a referir com expressões distintas: “thesouros”, “ripostigli”, “entesouramentos”, “achados descontextualizados” ou, mais constantemente, “depósitos”. Estas múltiplas definições, ambíguas do ponto de vista semântico, demonstram as dificuldades que os investigadores, ao longo da historiografia, têm encontrado no estudo de artefactos metálicos descobertos quer sob forma de achados individuais, quer no âmbito de conjuntos mais numerosos, resultantes, praticamente na totalidade dos casos conhecidos, de descobertas fortuitas e, a um primeiro olhar, descontextualizados, isto é, objectos avulsos e não directamente vinculados com evidências arqueológicas mais imediatas (i.e. povoados ou sepulturas). Perante o quadro esboçado, decidimos dedicar este estudo à análise deste tipo de achados: depósitos metálicos, concretamente dos de ligas de cobre, atribuídos à última fase da Idade do Bronze ocorrem com uma certa frequência no registo arqueológico do Centro e Norte de Portugal. Para o efeito, no estudo destas evidências procurámos uma abordagem multidisciplinar, em que os artefactos depositados são caracterizados sob o ponto de vista morfo-tipológico e funcional, na sua dimensão e valor social, assim como na respectiva vertente arqueometalúrgica, concretamente ao nível de composição química e de caracterização metalográfica. O texto apresentado estrutura-se em 5 partes distintas. Na primeira, procedemos à apresentação do trabalho, traçando-se os limites geográficos e as balizas cronológicas dentro das quais nos moveremos. Ainda determinamos o objecto da investigação, procurando apresentar as múltiplas perspectivas analíticas que tem sido adoptadas no estudo dos depósitos, ao nível da historiografia de âmbito europeu, desde a segunda metade do séc. XIX (parte 1, cap. 1). Já nas páginas seguintes, procuramos apontar os objectivos de fundo que este trabalho pretende atingir, descrevendo-se a sua estrutura e justificando, por fim, as estratégias de pesquisa pelas quais optámos (parte 1, cap. 2). Mas estas páginas iniciais também servem para introduzir a segunda parte do trabalho, dedicada à apresentação e à discussão de um grupo de conjuntos metálicos do centro e norte de Portugal. Estes diversos conjuntos são devidamente identificados e analisados ao nível tipológico, historiográfico, cronológico e arqueometalúrgico (parte 2). Segue-se um exame de problemáticas específicas vinculadas às práticas deposicionais, de acordo com duas linhas de pesquisa distintas: por um lado salientamos os aspectos sociais das deposições. Deste modo, investigam-se os distintos modelos deposicionais que, ao nível de conteúdos, ocorrem com maior frequência no registo arqueológico (parte 3), procedendo também à caracterização, sob diversas escalas de análise, dos múltiplos lugares de deposição (parte 4). Por outro, procura-se um enquadramento dos resultados analíticos procedentes do estudo arqueometalúrgico dos metais que apresentamos na parte 2 - a que acrescentamos os dados relativos a um outro grupo de materiais dispersos que também estudámos – numa visão global, no âmbito da metalurgia arcaica do Ocidente Ibérico (parte 5). Estas duas vertentes dos depósitos - social e arqueometalúrgica - foram investigadas recorrendo a conceitos distintos mas complementares, como o de “biografia cultural” e de “cadeia operatória”. Ambos actuam no sentido de tentar reconstruir a história social de um determinado objecto, ainda que a partir de perspectivas distintas: a primeira abordagem, retirada de contributos de carácter antropológico, foca-se nas alterações do(s) significado(s) cultural(is) vinculado(s) a um artefacto; o segundo, através de ferramentas analíticas e da observação macroscópica dos artefactos, concentra-se nas transformações físicas dos metais, procurando determinar as técnicas de fabrico a que uma determinada peça foi sujeita e a sua possível utilização. Assim, ambas estas perspectivas visam, através caminhos distintos, perceber as dinâmicas vinculadas à produção e à circulação dos artefactos, momentos essenciais para a construção de “culturally specific meanings”. A partir destas perspectivas, observamos como cada objecto veicula uma multiplicidade de significados socialmente manipuláveis, que se vão acumulando ao longo da própria existência e que estão ligados à organização social, cultural e económica das sociedades de que são expressão. Será precisamente nestas dinâmicas que se determina a legitimação para um determinado objecto ser depositado no âmbito de práticas estruturadas e enquadradas no âmbito de comportamentos normativos e codificados específicos e culturalmente construídos. As características de um depósito, isto é, a selecção criteriosa do seu conteúdo e as respectivas características, assim como as dos lugares de deposição, traduzem e expressam precisamente a visão do mundo das comunidades antigas, permanecendo como testemunho material de estratégias sociais e culturais partilhadas no interior de um determinado grupo humano. Finalmente, como instrumentos auxiliares para a leitura do texto, incluímos dois anexos: o primeiro, respeitante os dados composicionais obtidos na análise de objectos procedentes da região sobre a qual incidimos; o segundo resulta de um levantamento sistemático dos achados que, de acordo com o nosso enquadramento teórico, poderão ser entendidos como depósitos. É evidente, e assumimo-lo desde já, que a realização desta tarefa teve que enfrentar - e tentar resolver – contradições manifestas, derivantes de evidências arqueográficas não isentas de informações erróneas e até, em certos casos, contraditórias.
Despite the excavations that, especially in the last three decades, have been undertaken in several settlements in Western Iberia, the greater amount of metal objects considered to be a part of the Final Bronze Age ( 8th and 7th centuries BC) known in the Center and North of Portugal are named after archaeological structures that the Portuguese bibliography has been referring with different expressions: “thesouros”, “ripostigli”, “entesouramentos”, “achados descontextualizados” or, more commonly “depósitos”. These multiple definitions, which are semantically ambiguous, are a proof of the struggle researchers have been having throughout historiography when studying the metal artifacts found individually and also in groups. In most of the known cases, these are a result of casual findings and, at first sight, with no context, that is, detached objects which are not directly connected to archaeological immediate evidence (i.e., settlements or graves). Given this scenario, we decided to dedicate this study to the analysis of this type of findings: metal hoards, more specifically to copper alloy hoards known in the final Bronze Age, which are usually found in the Center and North of Portugal. To this aim, when studying the existing evidence, we used a multidisciplinary approach, in which the artifacts are characterized in a morpho-typological and functional point of view, in their dimension and social value, as well as in the respective archeometallurgical side, specifically to the level of their chemical composition and metallographic characterization. This text is divided into 5 different parts. In the first one we present our work, and establish the geographical and chronological limits used. We also determine the object of our research, in a quest to present the multiple analytical perspectives which have been adopted in the study of the hoards, at the level of the European historiography since the second half of the 19th century (part 1, chapter 1). In the following pages, we have sought to point out the main goals of this work, describing its structure, and justifying, eventually, the chosen research strategies (part 1, chapter 2). But these first pages are also used to present the second part of the work, dedicated to introduction and discussion of a group of metal sets from the center and north of Portugal. These sets are properly identified, and analyzed at the typological, historyographical, chronological, and archeometallurgical levels (part 2). The next step consists on the examination of specific problems regarding hoard practices, according two distinct research views: on one hand the social aspects of hoards. This is a way of studying different hoard models that at the content level occur more frequently in the archaeological data registered (part 3), and also their characterization, under several analysis scales, of the multiple hoard sites (part 4). On the other hand, we sought for a framing of the analytical results proceeding from archeometallurgical study of the metal presented in part 2 – where we add some data regarding another set of disperse materials we have also studied – in a global view, in the scope of the archaic metallurgy of Western Iberia (part 5). The two sides of the hoards – social and archeometallurgical – have been studied using distinct concepts which, nonetheless, are complementary, such as the “cultural biography” and “operatory chain”. Both are used with the aim of reconstructing the social history of a given object, even if departing from two distinct perspectives: the first approach, based on anthropological contributions is focused on the changes of cultural meaning of an artifact; the second is based on the analytical tools and the macroscopic examination of the artifacts, focusing on the physical transformations of the metals, with the aim of determining the fabrication techniques used in a certain object and its possible use. Therefore, both perspectives, although through different ways, aim at understanding the dynamics associated to the production and trade of the artifacts, essential moments to the construction of “culturally specific meanings”. With these perspectives, we observe the multiple socially manipulable meanings which accumulate throughout existence, and which are connected to the social, economic and cultural organization of the societies they represent. The characteristics of a deposit, i.e., the judicious selection of its contents and the respective characteristics, as well as the hoard sites, translate and express precisely the vision of the world by the ancient communities, remaining as a material legacy of social and cultural strategies shared within a certain human group. Finally, as an auxiliary tool for the reading of the text, we include two annexes: the first one refers to the compositional data obtained in the analysis of objects proceeding from the region studied; the second one, results from systematic findings that, according to our theoretical framing, can be seen as hoards. It is obvious, and we assume this right now, that this task implied facing and solving evident contradictions, resulting from archaeographic evidence that may present erroneous information, that may even be contradictory.
Description: Tese de doutoramento em Letras, área de História, especialidade de Arqueologia, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/23582
Rights: openAccess
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